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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

“VERDE QUE TE QUERO VERDE”


“VERDE QUE TE QUERO VERDE”
(Neide Medeiros Santos – Crítica literária FNLIJ/PB)

O verde está em todas as coisas, em tudo ele transparece. Inclusive na água mais negra. Na água barrenta, dourada de sol – e esverdeada. Transparece até no céu azul profundamente verde.
(Thiago de Mello. Amazonas: água, pássaros, seres e milagres)

Lalau e Laurabeatriz são grandes amigos e gostam de escrever livros para crianças. Lalau é paulista, poeta e publicitário. Laurabeatriz é carioca, artista plástica e ilustradora. Os dois já escreveram muitos livros juntos, todos voltados para a defesa da flora e da fauna do Brasil.
“Árvores do Brasil: cada poema no seu galho” (Ed. Peirópolis, 2011) é mais um livro da dupla de amigos da natureza. Ao todo, são 15 poemas, 15 árvores louvadas e 15 animais. Para as árvores – poemas; para os animais – descrições objetivas.
Algumas das árvores citadas no livro são bem conhecidas no Nordeste, como pau-brasil, juazeiro, mulungu, ipê-roxo, aqui denominado pau-d´arco roxo, jenipapo e ipê-do-cerrado, que corresponde ao nosso pau d´arco amarelo. Esta última árvore citada enfeita o Parque Solon de Lucena (Lagoa) e a Avenida Getúlio Vargas, em João Pessoa. O jornalista e cronista Carlos Pereira é admirador do pau d´arco amarelo, e já escreveu inúmeras crônicas sobre a beleza do colorido dessa árvore.
As árvores (através de poemas) e os animais (explicações técnicas) estão reunidos em 15 duplas: 1) Pau-brasil (jaguatirica); 2) araucária (gralha azul); 3) jequitibá (quati); 4) ipê-do-cerrado (soldadinho); 5) buriti (maracanã-do-buriti); 6) jatobá-do-cerrado (anta); 7) juazeiro (veado-catingueiro); 8) mulungu (sofrê); 9) umbuzeiro (periquito-da-caatinga); 10) ipê-roxo (caburé); 11) jenipapo (surucuá-de-barriga-vermelha); 12) pau-formiga (tamanduá-mirim); 13) castanheira-do-pará (cutia); 14) piquiá (paca); 15) mogno (uacari, macaco-da-noite, macaco-aranha).
Lendo as informações sobre estas árvores que aparecem após os poemas, o leitor aprende muito.
O “pau-brasil” ou “ibirapitanga”, era o nome utilizado pelos índios, é de origem tupi-guarani e significa “madeira vermelha”. É necessário ter muito carinho com esta árvore, ela se encontra na lista do IBAMA de espécies ameaçadas de extinção, na categoria vulnerável.
O jequitibá é o símbolo da fraternidade nacional, é a maior árvore da mata atlântica, mede de 35 a 45 metros de altura. Por seu alto porte, os índios chamavam de “gigante da floresta”.
A fruta do juazeiro é rica em vitamina C, sobrevive aos tempos de seca e está sempre verde. O fruto é conhecido como juá. No livro “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, no meio da caatinga árida, somente os juazeiros despontam na planície avermelhada como duas manchas verdes.
O umbuzeiro foi chamado por Euclides de Cunha como “árvore sagrada do sertão”. Sua raiz conserva água e produz uma batata que, em período de seca, é utilizada como alimento.
O jenipapo tem muitas utilidades. A polpa do fruto serve para fazer licor, refresco, vinho, refrigerantes e doces. Os mais velhos se lembram muito bem do licor de jenipapo servido pelo prefeito Odorico Paraguaçu no seriado “O bem-amado”. O nome dessa árvore é de origem indígena e significa “fruto que serve para pintar”. Os índios utilizavam a tintura de jenipapo para pintar o corpo.
A castanheira-do-pará está entre as maiores árvores da Amazônia, chega a atingir 50 metros e pode viver mais de 500 anos. A madeira é de excelente qualidade, mas o corte desta árvore está proibido por lei no Brasil.
O mogno serve, entre outras coisas, para fabricar instrumentos musicais. A madeira tem um aspecto castanho-avermelhado e é muito bonita. Atenção rabequistas, violinistas e violeiros, o corte do mogno está proibido no Brasil.
Este livro apresenta outras peculiaridades – informações importantes para quem gosta do “verde que te quero verde”.
- 2011 foi declarado o Ano Internacional da Floresta pelas Nações Unidas para estimular a reflexão e a ação humana em prol da conservação e gestão de todos os tipos de floresta do planeta.
- Livro verde é o livro impresso em papel certificado pelo Conselho Brasileiro de Manejo Florestal. “Árvores do Brasil: cada poema em seu galho” é um livro verde.
- Livro que traz o selo FSC (Forest Stewardship Council) Conselho de Manejo Florestal indica que o livro foi produzido com madeira legal e não acarretou a destruição de florestas primárias, como a Amazônia. Na penúltima página de “Arvores do Brasil...” (p.51), encontra-se um selo bem delicado com a marca FSC.
Falei pouco sobre os poemas, quis despertar a curiosidade dos leitores. Começamos com uma epígrafe do poeta Thiago de Mello e para encerrar estes versos de Lalau que se encontra no último poema. É dedicado ao mogno:
“Que entre mogno e homem
Jamais exista duelo
E que esta sublime amizade
Receba bênçãos e versos
De Thiago de Mello.”

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