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sábado, 17 de abril de 2010

Pinóquio – da Itália para terras nordestinas


Pinóquio – da Itália para terras nordestinas
(Neide Medeiros Santos – Crítica literária da FNLIJ/PB)

A mentira tem pernas curtas
e nariz comprido.

Manoel Monteiro é poeta e cordelista pernambucano. Radicado há muitos anos em Campina Grande, vive modestamente em uma casa no bairro de Santo Antônio cercado por livros e uma folheteria bem organizada. Na entrevista que concedeu às pesquisadoras do projeto “Redescobrindo as Trilhas de Augusto dos Anjos”, afirmou que nasceu em Pernambuco, mas que escolheu ser paraibano e se considera paraibano.
Monteiro foi autor do projeto “Paraíba, sim Senhor!” e publicou vários folhetos ressaltando os vultos e as figuras ilustres da Paraíba, com destaque para Augusto dos Anjos – o Poeta Maior. Atualmente, desenvolve um trabalho de divulgação do cordel nas escolas municipais de Campina Grande, proferindo palestras e fazendo doações de folhetos. Seu maior desejo é dotar cada biblioteca escolar de Campina Grande de um acervo de cordéis.
O poeta/cordelista diz que gosta de conversar com as personagens dos contos infantis, confabular com as fadas e dialogar com os duendes. A atração especial pelos contos de fadas tem gerado uma série de cordéis em que o poeta faz uma releitura do “Gato de Botas”, “Branca de Neve”, ”Chapeuzinho Vermelho”. Recentemente, Manoel Monteiro publicou “Pinóquio” por uma editora de São Paulo (Ed. DCL, 2009) com ilustrações de Jô Oliveira.
Jô Oliveira é pernambucano e mora, atualmente, em Brasília. Ilustrou e escreveu inúmeros livros para o público infantil e juvenil. Suas ilustrações trazem a marca das raízes nordestinas. Entre os inúmeros livros ilustrados por Jô Oliveira, pela riqueza ilustrativa, merece registro o “Romance do Pavão Misterioso”.
“Pinóquio”, livro editado pela DCL, apresenta versos de Manoel Monteiro (septilhas) e ilustrações em estilo naïf de Jô Oliveira. Texto e imagem dialogam em perfeita harmonia.
Monteiro declarou que reescreveu esta história atendendo a um pedido de Pinóquio. Esses poetas!
Jô Oliveira considera Pinóquio a personagem mais famosa da literatura infantil ocidental e sempre teve o desejo de ilustrar um livro com o boneco criado pelo marceneiro Gepeto. A oportunidade surgiu e os dois trilharam caminhos bem conhecidos – Monteiro, o cordel; Jô, a ilustração.
Pinóquio, Gepeto, o Grilo Falante e outras personagens que integram o universo de Carlo Collodi encontraram em Manoel Monteiro um narrador inteligente. Utilizando-se do cordel, o poeta vai tecendo um manancial de aventuras e desventuras de um boneco de madeira com emoção e musicalidade.
O ilustrador Jô Oliveira, com seus traços fortes e cores vibrantes, retrata o protagonista como bom pernambucano – um dançarino de frevo, não faltando uma sombrinha colorida que acompanha seus passos nas apresentações circenses.
Pinóquio se assemelha a João Grilo e Pedro Malasarte nas astúcias, fanfarronices. É malandro e mentiroso. Sua história, como a própria vida, é alegre, triste e engraçada.
Carlo Lorenzini, o criador de Pinóquio, escreveu esta história utilizando o pseudônimo de Carlo Collodi e publicou-a em capítulos no “Jornal das Crianças”, na Itália, em 1881. Era costume, nessa época, publicar os romances em capítulos nos jornais e revistas. Somente em 1883 a história de Pinóquio foi publicada em livro.
A universalidade da personagem, com seus desmandos e suas aventuras, conquistou os leitores. Pinóquio foi traduzido para diversas línguas e já foi tema de filmes, peças de teatro, quadrinhos e cordel. Em 1940, Walt Disney fez uma adaptação para o cinema.
Girlene Marques Formiga (CEFET/PB), no ensaio “As Aventuras de Pinóquio: Aspectos das Adaptações na Literatura Infanto-Juvenil”, chama a atenção para as adaptações que objetivam transformar a obra em uma unidade simplista e contrária à intenção do texto literário que é proporcionar multiplicidade de leituras. Pinóquio é um grande livro e não pode ser reduzido a leituras que o torne menor.
Não recontamos episódios do texto recriado por Manoel Monteiro, deixamos para o leitor o sabor da descoberta.

Um comentário:

Amara disse...

Oi querida Neide!
O seu livro, a partir do que vi, despertou um desejo de lê-lo integralmente...
Mas, me contento em ter o seu "GURIATÃ"... Parabéns por tudo!
Gostaria de entrar em contacto com você... Meu email é: amarachagas.ilha@gmail.com
Beijinho, até breve!
Amara Chagas