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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

PORTINARI: o pintor que fala ao coração


PORTINARI: o pintor que fala ao coração
(Neide Medeiros Santos – Crítica literária FNLIJ/PB)

            Lá vai Candinho!
            Pra onde ele vai?
            Vai para Brodowski
            Buscar seu pai.
            [...]
            Lá vai Candinho
            Com seu topete!
            Vai pra Brodowski
            Pintar o sete.
(Vinicius de Moraes. Poema para Cândido Portinari em sua Morte).

            Pelas mãos habilidosas da família Dumont, o painel “Guerra e Paz”, de Cândido Portinari, ganhou uma nova linguagem – o bordado.  “Candinho e o projeto Guerra e Paz” (Companhia das Letrinhas, 2012), com bordados de Antônia Zulma e filhos, texto de Sávia Dumont, traz um pouco da história deste belo painel que se encontra no prédio da ONU, em Nova York. O livro contém duas histórias – a infância de Portinari, passada em uma cidade do interior de São Paulo- Brodowski e a história do painel “Guerra e Paz”.  
             Cândido Portinari era filho de um casal de italianos e teve vários irmãos. Sua infância foi marcada por cirandas na praça, cantiga dos carros de bois percorrendo os caminhos de terra com seus rangidos característicos, cafezais, procissões, fogueiras e a presença de moças bonitas com laços de fita.
            Quando criança, recebeu o apelido de Candinho e assim era tratado pelos familiares e amigos mais próximos. Por ocasião de sua morte, o poeta Vinicius de Moraes quis homenageá-lo de forma carinhosa e se valeu desse apelido da infância quando escreveu “Poema para Cândido Portinari em sua Morte.”.
            Os pendores artísticos se revelaram desde a mais tenra infância. Era um menino observador. O ambiente rural do interior de São Paulo, vivenciado por ele, está sempre presente em suas telas.
            Na fase adulta, com pincel, telas e tintas,  Portinari procurou retratar as cenas que povoaram a sua infância – as brincadeiras, mas também a dureza da vida dos trabalhadores de café, os retirantes da seca e o desespero de mães que perdem os filhos ainda pequenos.
            A história do painel “Guerra e Paz” que se encontra na sede da ONU precisa ser contada para as crianças e jovens.
            Em 1952, o governo brasileiro convidou Portinari para elaborar um presente para os Estados Unidos.  Naquele tempo, Portinari já estava doente pelo uso constante de tintas tóxicas, mas mesmo assim aceitou o desafio e começou a pintar dois painéis – um representando a Guerra, o outro, a Paz. Foram muitos meses de intenso trabalho durante este tempo ele criou cento e oitenta estudos.
            Os painéis medem 14x10 metros cada um e foram pintados com tinta a óleo sobre uma madeira especial, o compensado naval. Ele fez o trabalho a partir de telas de 1 x 2 metros e contou com ajuda dos amigos – Eurico Bueno e Rosalina Leão.  Em janeiro de 1956, entregou os painéis a Macedo Soares, ministro das Relações Exteriores.
            A obra estava pronta, mas o pintor brasileiro não foi aos Estados Unidos para ver sua obra instalada na sede da ONU. O governo americano achava que ele pensava diferente dos ideais americanos. Portinari era partidário do comunismo.  Portinari ficou muito triste diante desta proibição.
            Este foi o trabalho mais importante do pintor, tanto que ao terminá-lo deu uma entrevista e disse: “Guerra e Paz representam sem dúvida o melhor trabalho que já fiz [...] Dedico-os à humanidade” (2012: p. 41).               
            Cândido Portinari era também poeta e pessoa de grande sensibilidade artística. Vale a pena repetir esses dois pensamentos do poeta/pintor:
            “Só o coração poderá nos tornar melhores e é esta a grande função da arte.”
            “Uma pintura que não fala ao coração não é arte, porque só ele a entende”.
            O trabalho da família Dumont também foi bem demorado. “Durante dois anos, bordaram cada traço, cada detalhe e movimento das vinte telas escolhidas entre os tantos estudos de Candinho. Foram dois anos de muita bordação, alegrias, emoções e delicadezas.” (2012: p.41).


            NOTAS LITERÁRIAS E CULTURAIS

Segue uma relação de cinco bons livros para leitura nas férias. Os livros selecionados pertencem à área infantojuvenil e de  teoria da literatura infantil,  podem ser lidos por crianças e adultos.  Foram todos resenhados na coluna “Livros & Literatura”, no jornal Contraponto.

1.     Casa de Consertos.  (Ed. Melhoramentos, 2012). Texto de Eloí Bocheco. Il. Walther Moreira Santos. Uma história cheia de ternura que fala sobre uma enfermeira aposentada que conserta brinquedos e gosta de literatura. Este livro foi considerado um dos 50  melhores livros  na área de literatura juvenil pelo júri do jornal “O Estadinho”- suplemento infantil do jornal “O Estado de São Paulo”. (Contraponto – 01 a 08 de novembro de 2012).
2.    Sobre ler, escrever e outros diálogos. (Autêntica, 2012). Bartolomeu Campos de Queirós. Este livro é indicado para pais e professores. O pensamento crítico/filosófico do autor aparece em sua inteireza. O livro está dividido em duas partes - na primeira, aparecem textos ligados à leitura e memória; na segunda, são textos direcionados para os professores. (Contraponto – 17 a 23 de agosto de 2012).
3.    Por uma literatura sem adjetivos. (Ed. Pulo do Gato, 2012). Maria Teresa Andruetto. Trad. Marina Colasanti. O livro se compõe de vários artigos de Andruetto apresentados em congressos, reuniões com professores e alunos e refletem a própria vivência da autora com a literatura infantil. Maria Teresa Andruetto é argentina e foi a ganhadora do prêmio Hans Christian Andersen – 2012, com entrega no IBBY, Londres, 2012.  (Contraponto – 20 a 26 de julho de 2012).
4.    O canto das Musas – poemas para conhecer, ler, recitar e cantar. (Cia. Das Letras, 2012). Aline Evangelista Martins, Cibele Lopresti Costa e Péricles Cavalcanti, com organização de Zélia Cavalcanti. O livro inclui CD. Vinte e três poemas, todos de domínio público, estão distribuídos nas páginas do livro. Augusto dos Anjos está presente com dois sonetos: “A ideia” (musicado) e “O morcego”. (recitado). Contraponto – 15 a 21 de junho de 2012).
5.    Aquela água toda. (Cosac Naify, 2012). João Carrascoza. Il. Leya Mira Brander.  O livro é formado por onze contos e os personagens são crianças que vivem experiências novas e se encantam com pequenas coisas. Carrascoza é um autor que cativa o leitor pela criação de imagens poéticas e inusitadas. ( Contraponto – 27/04 a 03 de maio de 2012).
                                       











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