Ocorreu um erro neste gadget

domingo, 17 de março de 2013



            LIVRO -BRINQUEDO: UMA CATEGORIA EM  ASCENSÃO
            (Neide Medeiros Santos – Crítica literária FNLIJ/PB) 

           
            O livro-brinquedo é um suporte que atrai a atenção das crianças pelo seu formato diferenciado, características ornamentais e apelos sensoriais.
            (Ana Paula Paiva e Amanda Carla M. Carvalho. Livro-brinquedo, muito prazer). 

           
            Renata Junqueira de Souza e Berta Lúcia Tagliari Feba organizaram o livro “Leitura literária na escola: reflexões e propostas na perspectiva do letramento” (Ed. Mercado das Letras, 2012), incluindo  textos de especialistas na área da literatura para crianças e destaque para as criações recentes que valorizam as histórias em quadrinhos, os livros de imagens, as narrativas curtas e os livros-brinquedo.
            O 1º. capítulo é dedicado a essa crescente modalidade infantil – o livro-brinquedo. Com o título “Livro-brinquedo, muito prazer”, as professoras Ana Paula e Amanda Carla analisam aspectos pertinentes a esta nova vertente  literária que alia as palavras às cores, formas, dobraduras, movimentos, jogos, surpresas.
            As autoras afirmam que o livro-brinquedo, enquanto denominação específica, ainda é pouco conhecido. No Brasil, o termo passou a figurar nas capas de livros infantis como chamada entre os anos de 2009 e 2010. Foi por esse período que passou a integrar a categoria “livro-brinquedo” na seleção da FNLIJ. Lembramos, no entanto,  que a escritora Ísis Valéria ( anos 1980) já produzia livros de panos para crianças enquadrados nessa categoria. Se pensarmos em tempos mais antigos, vamos encontrar os álbuns ilustrados que encantavam as crianças.  Não tínhamos os recursos modernos da  ilustração, os  ricos projetos editoriais,  mas era um deleite olhar esses álbuns.  
            O livro-brinquedo é um livro “pop-up”, isto é, um livro que salta para fora do livro, que cria janelas inesperadas. Os franceses denominam de “livre jeu” a esta modalidade literária que apresenta características bem lúdicas. A novidade do projeto gráfico e a diagramação despertam o interesse sensorial das crianças e aguça sua curiosidade.
            Podemos identificar o livro-brinquedo pela presença de algumas características e destacamos: a) transgressão de padrão do livro tradicional; b) ludicidade; c) possibilidade de manuseio e montagem; d) estímulo ao jogo; e) surpresa visual.
            Em 2012, dois livros nos chamaram a atenção por reunir essas características e pelo instigante convite à interação com o leitor. São eles: “Cadê o capitão Sardinha?” (Ed. Globo) e “Kokeskis” (Ed. Salamandra).
            “Cadê o capitão Sardinha” foi escrito e ilustrado por Maté e dá oportunidade ao pequeno leitor de brincar de esconde-esconde. Maté é escritora e ilustradora francesa, radicada no Brasil e autora de vários livros que receberam o  selo Altamente Recomendável da FNLIJ.
 A história se passa em um antigo casarão que mais parece um barco. Os personagens Tita, Beto e o gato Miado se divertem procurando o vovô Sardinha pelos cômodos da casa. Onde se escondeu o vovô Sardinha? Não sabemos. Ele gosta de   lugares inusitados – dentro da geladeira?   No baú de tampa de couro? Tudo é possível.  
            No jogo de esconde-esconde, abas cobrem ilustrações que quando desveladas reservam surpresas. A criança manuseia o livro e parece que não vai encontrar o capitão Sardinha. Mais uma vez, vem a pergunta:  Onde está escondido esse velhinho peralta? Surpresas e mais surpresas aguardam o ansioso leitor.
            Além do lúdico que passeia nas páginas desse livro, o pequeno leitor se delicia, no primeiro contato, com a sugestiva capa – um turbante de pirata e um tampão preto no olho do pirata. E surge  a dúvida: será que o capitão Sardinha é um pirata?
            “Kokeskis”, que em japonês significa boneca, é um livro com formato distinto – dentro de uma boneca/caixa aparece o livro “O segredo de Mitsuko”, conto de inspiração japonesa, recontado por Brigitte Delpech e ilustrado por Corinne Demuyunck; um móbile com desenho colorido  de uma boneca japonesa para pendurar no carrinho de bebê ou em outro local escolhido pela criança; um caderno de desenhos com quatro lindas kokeshis para a criança pintar. (Os desenhos são em preto e branco); várias folhas de papel colorido para origami. Acompanhando as folhas coloridas de origami vem um livrinho contendo todas as explicações necessárias para a confecção de origamis, um trabalho artesanal de origem japonesa.      
            “O segredo de Mitsuko”, conto tradicional no Japão, traz uma bonita história de amor que envolve uma moça tecedeira de quimonos de seda para noivas e o filho de um rico vendedor de chás. Mitsuko, a jovem tecelã, apaixonou-se pelo jovem Jiro-san, mas  entre eles havia uma grande  distância social. Jiro-san era rico, filho de um pai poderoso e Mitsuko era uma pobre moça que morava com o avô, bordava  quimonos de noivas, fazia pipas para crianças e trabalhos em origami. Um dia Jiro-san adoeceu e  Mitsuko, com a ajuda do avô,  produziu sete lindas “kokeskis” e  ofereceu ao   rapaz com a finalidade de curá-lo.  Ao ver os lindos presentes, vindos daquela que tinha mãos de fada, Jiro-san recuperou a saúde. O resto da história  não precisamos recontá-la. 
            Esses dois livros se enquadram na categoria “livro-brinquedo” e possibilitam  manuseio e montagem (confecção de origamis), fogem do padrão tradicional (livro em formato de boneca) – “Kokeskis”  e propicia o jogo do esconde-esconde – “Cadê o capitão Sardinha? “

            NOTA LITERÁRIA

            EXEMPLO A SER SEGUIDO 

    Recebemos de uma leitora do blog: “nastrilhasdaliteratura.blogspot” a seguinte informação: “Sérgio Florindo é cego desde o nascimento, mas isso não o impediu de ser o leitor homenageado da Biblioteca de São Paulo. Pela segunda vez, foi leitor destaque da biblioteca, já ouviu  metade da coleção de 1.189 audiolivros, entre eles “Dom Quixote” e “O Tempo e o Vento”. Quando vai à biblioteca, levado pela filha, ele costuma dizer: vou me encontrar com meus autores proferidos: Graciliano Ramos, Miguel de Cervantes e Carlos Drummond de Andrade”. Sérgio demonstra bom gosto literário, é exemplo a ser seguido. 

Nenhum comentário: