domingo, 18 de agosto de 2013

WANGARI MAATHAI: a defensora das florestas



WANGARI MAATHAI: a defensora das florestas
(Neide Medeiros Santos – Crítica literária/FNLIJ/PB)
            Não tenham medo de falar quando sabem que estão no seu direito. O medo nunca foi uma fonte de segurança.
            (Palavras pinçadas da autobiografia de Wangari Maathai)    

            Wangari Maathai é natural do Quênia, país africano situado na costa oriental da África.  O Quênia pertenceu durante muitos anos ao Reino Unido, somente em 1963 conseguiu a libertação. Wangari Maathai nasceu em 1940, sob o domínio inglês, e sempre batalhou pela independência do seu país. A história de sua vida, a defesa em prol dos quenianos, está contada no bonito livro “Wangari Maathai – a mulher que plantou milhões de árvores”, de Franck Prévot, com ilustrações de Aurélia Fronty.  No Brasil, a tradução foi feita por Janaína Senna e a editora Record (Galerinha) foi responsável pela edição deste livro.
            Quem é realmente Wangari Maathai? É uma professora queniana, defensora das florestas e que obteve em 2004 o Prêmio Nobel da Paz por sua contribuição em favor do desenvolvimento sustentável, da democracia e da paz em seu país e no mundo. Ela conseguiu mudar a paisagem de sua terra natal – o Quênia.  
             Nasceu na época em que a mulher ainda vivia subalterna ao homem, mas lutou, venceu preconceitos, recebeu uma bolsa de estudos para os Estados Unidos e saiu vencedora na vida e na luta em favor dos oprimidos.   
            Vamos conhecer um pouco da vida dessa mulher admirável.
            Wangari ouviu sua mãe dizer quando ainda era bem pequena: “Menina, uma árvore vale mais que sua madeira!” Essa lição acompanhou a sua vida inteira.   
            Quando era jovem, seu pai trabalhava para o senhor Neylan, um dos colonos britânicos que era considerado o dono da região onde moravam.   Os britânicos confiscaram as melhores terras e abateram muitas árvores para plantar chá.   Com o passar do tempo, Wangari foi entendendo que tudo aquilo estava errado. A escola e o estudo abriram-lhe os olhos, precisava fazer alguma coisa em prol dos quenianos.
            Alguns anos se passaram, Wangari foi à escola, ingressou no colégio Santa Cecília, dirigido por religiosas italianas e depois frequentou a escola secundária Loreto, perto de Nairóbi. Em 1960, o senador americano John F. Kennedy convidou 600 jovens quenianos para estudar nos Estados Unidos. Como era aluna brilhante, Wangari integrou a equipe dos estudantes selecionados. Durante cinco anos frequentou universidades americanas e formou-se em Ciências.  Ao voltar para seu país, os britânicos não eram mais os donos da terra, mas os quenianos haviam aprendido com os britânicos a destruírem as árvores. Aqui começou sua luta para reconstrução da natureza. A tarefa foi árdua, teve que vencer inúmeras barreiras, convencer seu próprio povo da necessidade de plantar árvores. 
            Ao percorrer o Quênia para estudar sua fauna, ficou chocada com o que viu, havia poucos animais, a plantação dos ricos substituíra as lavouras de subsistência, os rios estavam barrentos, não havia mais as raízes das árvores para proteger suas margens. A desolação de ver seu país sem animais e sem árvores levou-a a tomar uma atitude que iria beneficiar o Quênia e muitos outros países. Sua missão agora era convencer os dirigentes do mundo todo que a floresta é um dos mais preciosos tesouros da humanidade. Seu lema: “Protestar e plantar milhões de árvores podia ajudar a mudar a vida de mulheres e homens, fossem eles brancos ou negros, ricos ou pobres, dali ou de outro lugar!” (2013:p. 21) .
            Wangari lutou para impedir a construção de uma torre de 60 andares em pleno coração do parque Uhuru com uma imensa estátua do ditador queniano Daniel Arap Moi que dirigiu o país por 23 anos. Protestou para que uma grande imobiliária não se instalasse na Floresta Kakura, o que colocaria em extinção várias espécies de animais. Sua luta foi vitoriosa. Esses fatos levaram um queniano a fazer essa observação: “Senhora Wangari Maathai, a senhora é o único homem que ainda nos resta neste país!” (p. 27).
            Em 2002, o presidente Daniel Arap Moi foi substituído, perdeu as eleições e Wangari se elegeu deputada. Pouco tempo depois, o novo presidente nomeou-a ministra do Meio Ambiente. Hoje Wangari é conhecida no Quênia como “a mãe das árvores”.
            Em 2004, recebeu o Nobel da Paz por seu trabalho em prol da natureza. Foi a primeira mulher africana que recebeu essa distinção. Ao receber o Prêmio, ela pronunciou essas palavras: “Adoraria convocar os jovens para se dedicar a atividades que contribuam para a realização de seus sonhos em longo prazo. Eles têm a energia e a criatividade necessárias para construir um futuro duradouro”.
            A história de Wangari Maathai é narrada em páginas coloridas, salpicadas de muito verde. As cores são tão vivas quanto o sol brilhante das savanas. É um livro que encanta pela beleza das ilustrações e pela bonita história dessa brava mulher que se tornou defensora das árvores – figueiras, sequoias, baobás.
            Em 2011 o coração de Wangari deixou de bater, mas a sua lição de proteger a natureza, o amor às plantas e aos animais ficou para sempre. Seu nome será lembrado durante muito tempo pelos quenianos e seu exemplo deverá ser seguido pelas gerações futuras e por todos os amantes da natureza.
            ( Texto publicado no jornal “Contraponto” – 16 a 22 de agosto de 2013) 

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Visita à baleia: um entrecruzar de prosa e poesia



Visita à baleia”: um entrecruzar de prosa e poesia
(Neide Medeiros Santos – Crítica literária FNLIJ/PB) 

            Nos romances como Moby Dick e O Velho e o Mar
            ou na história de Jonas
            o animal é algo nobre
            e  a vida
            - é um duelo  par-a-par.
            (Affonso Romano de Sant´Anna. A morte da baleia).

            O ensaio do jornalista Fernando Moura sobre o poema de Affonso Romano de Sant´Anna – “A morte da baleia”, publicado no “Correio das Artes” maio de 2013, Ano LXIV, No. 3 p. 4-16, nos levou ao encontro do livro infantil de Paulo Venturelli – “Visita à baleia” (Ed. Positivo, 2012), com ilustrações de Nelson Cruz. Os textos são bem distintos, mas o personagem é o mesmo – a baleia.
            Se no poema de Affonso Romano de Sant´Anna a denúncia aflora nos versos, na prosa poética de Paulo Venturelli é o encantamento que este animal desperta na mente das crianças.  Com “Visita à baleia”, Paulo Venturelli ganhou o Prêmio de Melhor Livro Infantil da FNLIJ em 2013 e a ilustração de Nelson Cruz foi Hors-Concours do Prêmio de Ilustração pela mesma Fundação.
            O espaço escolhido para a história é a cidade de Brusque, interior de Santa Catarina, não banhada pelo mar. Assim, quando o pai chegou com a notícia em casa de que havia uma baleia no centro da cidade, a mãe e os dois filhos ficaram com “os olhos arregalados até não mais poder” (2012: p.9). E veio o convite-ordem:
            “Vamos, vamos, Se aprontem que a gente vai até lá ver o bicho”. (p.9) 
            A mãe não acreditou em nenhum momento nessa história e dizia que era impossível aparecer uma baleia em uma cidade que não tinha mar, mas o pai e os meninos estavam curiosos para ver a baleia. Com roupa domingueira, partiram os três em direção ao centro. De bicicleta, seguiram para a grande festa. O pai no meio, o caçula na frente e o mais velho no bagageiro.  A mãe ficou em casa resmungando e duvidando da veracidade da história.
            O caminho da casa até o centro da cidade era acidentado, cheio de ladeiras e o menino mais velho, o narrador da história, fez muitas perguntas ao pai sobre a baleia, mas só encontrou respostas evasivas – a única coisa que ele sabia era que existia uma baleia no centro da cidade e que os colegas da fábrica estavam indo com a família para ver.
            Quando chegaram à praça, o menino viu a multidão e se arrependeu de ter vindo, poderia ter ficado em casa com a mãe, brincando com o Beto, era muito mais vantagem. Para piorar a situação, havia uma fila enooorme e que não caminhava, parecia que estava parada.  O desconforto da espera piorou quando o irmão menor começou a pedir “chovete” e ameaçava um choro para conseguir o que queria, mas o pai só pensava em ver a baleia e repetia: “Depois. Depois o pai compra.” (p.28).
            Enquanto esperava pelo momento ambicionado, o menino mais velho começou a relembrar fatos passados. Certa vez foi com o pai a um circo que apareceu na cidade. Pagaram ingresso para ver a “mulher barbuda”. Todos deviam passar bem depressa diante da mulher barbuda, o pai não gostou do engodo e gritou feio:
            “Cadê a lazarenta da barbuda? Aí no escuro, bem que pode ser homem. Bem que pode ser uma idiota com barba postiça” (p.32). Veio a pessoal do circo acalmar o homem que estava furioso. O menino sentiu-se envergonhado diante do escândalo do pai. Será que ele ia fazer o mesmo diante da baleia?
            A surpresa da história fica para o leitor do livro. Não quero desvendar o mistério que envolve a baleia. Seria uma baleia viva ou morta? Só lendo o livro para saber.
            No dia seguinte, quando foi à escola, a professora deu este tema para a composição: “Uma árvore frutífera”. O menino arriscou e perguntou à Dona Deolinda: “Posso fazer sobre a baleia?” (p.50). A professora não titubeou: “Deixa de ser bobo, menino. Escreva o que eu mandei”. (p. 50)
            O menino vai obedecer à ordem da professora? É outro segredo que está escondido no livro.   
             “Visita à baleia” é rico de imagens literárias, de devaneios, de entrecruzar de pensamentos, de linguagem coloquial bem descontraída.  Aliado a tudo isso, destacam-se as ilustrações de Nelson Cruz - sombrias, ternas, extravagantes, algumas minúsculas, outras grandiosas.  Contrastando com o preto de muitas páginas, aparece o azul celeste do céu e do carro “rabo de peixe” do doutor Nica.
            A respeito deste livro, o ilustrador Nelson Cruz assim se expressou: “Este livro Visita à baleia, do Paulo Venturelli, me concedeu o dom da invisibilidade. Explico. A maneira de narrar a história, como uma conversa ao pé do fogão, me envolveu desde o princípio. [...] Numa inversão, os personagens tornaram-se vivos e eu, invisível, acompanhei cena por cena até o desfecho e a lágrima final, que me trouxe de volta à realidade.” (Orelha do livro Visita á baleia).
            Tivemos a oportunidade de assistir, no 15º. Salão do Livro, Paulo Venturelli contar a história da baleia para crianças de escolas municipais e Nelson Cruz desenhá-la.  As crianças, muito atentas, pareciam não querer perder um só momento dessa aventurosa história.
           
 ( Publicado no jornal Contraponto, julho de 2013)
                       


           

Tatiana Belinky -Sherazade das mil e uma histórias



TATIANA BELINKY – “Sherazade das mil e uma histórias”
(Neide Medeiros Santos – Crítica literária - FNLIJ/PB)


            Capitu que me desculpe, mas a Emília é a maior heroína literária brasileira.
            (Tatiana Belinky)

            Tatiana Belinky nasceu em São Petersburgo, na Rússia, em 1919.  Quando completou um ano, a família se mudou para Letônia e por lá viveu até os dez anos. Em 1929, a família veio para o Brasil e a viagem de navio até o Rio de Janeiro (foram 21 dias de viagem) pareceu para aquela menina de 10 anos uma aventura semelhante às histórias que seu pai contava de longas viagens de navios, de guerras.
            O pai era um ator na arte de contar histórias, ele fazia uma voz diferente para cada personagem e foi ouvindo histórias contadas pelo pai que despertou na filha o gosto pelos livros. O desembarque foi no Rio de Janeiro, mas com poucos dias a família se transferiu para São Paulo e lá se fixou.
            Há um fato interessante na vida da estudante Tatiana Belinky. No colégio que estudou logo que chegou a São Paulo, as colegas riam por conta do seu sotaque estrangeiro e pela troca de palavras. Como não dominava bem a língua portuguesa, trocava palavras. O que fez a menina? Passou a estudar muito português e virou a melhor aluna de português da classe. Bendita vingança!
            Quando jovem, trabalhou como tradutora bilíngue, datilógrafa, só alguns anos mais tarde despertou para a literatura infantil. Casou com o médico e ator Júlio Gouveia, juntos montaram peças de teatro e fizeram a adaptação do Sítio do Picapau Amarelo para a TV Tupi de São Paulo.
            No livro autobiográfico, “Acontecências”, Tatiana transcreve inúmeros poemas de Júlio para sua amada. Aqui estão algumas dessas incursões poéticas do noivo:
            “Ofereço-te a fachada
            De um cantor tolo e pateta:
            Fez uma bruta “cantada”
            Numa Canção Indiscreta.”
            ***
            “De cantar, só, no meu canto
            Já estou a desencantar;
            Pro canto ter mais encanto
            Contigo quero cantar.”
            Esses poemas, endereçados à futura esposa, vinham sempre acompanhados de uma fotografia do autor dos versos.
            O interesse de Tatiana pela literatura infantil começou com o trabalho de adaptação da obra de Lobato para a TV. Seus livros infantis vêm marcados pelo humor, pelo tom de brincadeira. Inaugurou a série de “limeriques”, poemas de cinco versos, geralmente sobre coisas engraçadas.
             “A operação de tio Onofre” é um dos seus livros mais vendidos, já alcançou inúmeras edições. Com “Os dez sacizinhos”, Tatiana Belinky ganhou o prêmio de Melhor Livro Infantil em 1999, esse mesmo livro recebeu  o Prêmio de Melhor Ilustração Infantil.   Vários outros livros da autora receberam o selo “Altamente Recomendável” da FNLIJ.
            Em 2008, publicou “Limeriques da Cocanha” (Companhia das Letrinhas) com ilustrações bem jocosas de Jean-Claude Alphen.
            A Cocanha é um país imaginário, é o “São Saruê”, de Manoel Camilo dos Santos, mas este país imaginário de que nos fala Tatiana é bem anterior a São Saruê. Em nota explicativa, a autora nos diz que este país nasceu na fantasia de um anônimo poeta francês em plena Idade Média, lá pelos séculos XII ou XIII.
            Cocanha era uma terra de permanente felicidade, só existia lazer e ociosidade. Não havia ricos nem pobres, a comida já vinha pronta à mesa e fome lá também não existia.
            Vejam o primeiro limerique que descreve Cocanha:
            “ Na Cocanha a sociedade
            Vive em total liberdade –
            Lá ninguém trabalha
            (trabalho atrapalha...),
            Lá tudo é só felicidade.”

            Tatiana se foi, mas ficaram seus livros, limeriques, os contos russos

domingo, 30 de junho de 2013

MEMÓRIA, LEMBRANÇAS, AFETOS



MEMÓRIA, LEMBRANÇAS, AFETOS
(Neide Medeiros Santos – Crítica literária FNLIJ/PB)

            Nós não somos os criadores de nossas ideias, mas apenas seus porta-vozes; são elas que nos dão forma... e cada um de nós carrega a tocha que no fim do caminho outro levará.
            (Carl Gustav Jung. Memórias, Sonhos, Reflexôes)


            Na Introdução do livro “Memórias, Sonhos, Reflexões”, uma autobiografia de Carl Gustav Jung, Aniella Jaffé afirma que depois de um período de inquietação interior, Jung sentiu que emergiram imagens de sua infância há muito submersas e resolvera escrever sobre esse o período da sua vida. A princípio mostrou-se “reservado e reticente”, depois começou a falar com interesse sobre si próprio, sua formação, seus sonhos e pensamentos. E o livro abrangeu não apenas a infância, mas outras fases de sua vida.
            Na literatura infantil, encontramos muitos autores que escrevem sobre a infância e se utilizam de artifícios que procuram esconder o caráter autobiográfico do livro. Dentro desse universo, citamos Marcus Accioly e o livro “Guriatã: um cordel para menino”. Somente descobrimos que é um relato da sua própria infância quando lemos as Notas que aparecem após o longo poema. .
            De Eloí Bocheco, recebemos “Tua mão na minha” (Ed. Habilis, 2012), com ilustrações de Walter Moreira Santos. A autora afirma que esta história foi “brotada dos desvãos da memória afetiva e das mais caras lembranças de minha infância no campo.”.
             A menina Dúnia é a protagonista da história, todos os dias vai buscar água no poço. Ela mora distante e é necessário fazer pausas para descansar, o balde é muito pesado.  No caminho entra na casa da avó, dá-lhe um beijo e um abraço e volta logo, ela tem pressa. Essa caminhada do poço até a casa da mãe é motivo para devaneios – ela brinca com a água, traz pedrinhas do fundo do poço e peixinhos dourados nadam na água do balde.   
            Há certos serviços domésticos que Dúnia não gosta de fazer – varrer o terreiro, lavar a louça do café. Nessas ocasiões, esconde-se numa pitangueira. De buscar água, ela gosta. O caminho é tão bonito! Pra lá da ponte fica a mata e mata tem seus encantos – lá mora o Boitatá, a Moça-da-lua, o Pé-de pedra e outros seres encantados. 
            Um dia a menina não veio buscar água no poço, passaram-se muitos dias, nasceram dias bonitos, de muito sol e brisa suave e nada da menina aparecer. O tempo mudou, chegou o verão, o inverno.  Certo dia Dúnia apareceu, vinha triste e sem o balde. Sentou-se em uma pedra e ficou quietinha, um bem-te-vi cantou e ela não ouviu, deitou-se na grama e deixou-se ficar com os olhos fixos no céu. Lembrou-se da mãe. Onde estaria?
            A avó explicou que o trabalho da mãe agora era cuidar das aves celestes. Como a menina desejou ter asas para voar, ir até o céu e encontrar com sua mãe! A avó ainda dizia que a mãe se tornou eterna, não podia mais voltar. A menina também queria virar eterna.
            Para entender melhor a história da menina Dúnia, vamos transcrever o que disse a autora na orelha do livro:
            “A história de Dúnia surgiu da lembrança dos rituais de carregar água das fontes para as moradias, no campo, no século passado. As crianças faziam da “estrada da fonte” um caminho mágico, de brincadeiras e encantamentos. Nas pausas para descanso, a imaginação tomava conta de tudo e era possível viajar para longe nas águas do “rio de balde”, ou inventar inusitados brinquedos com os vultos da paisagem, enfeitiçados pela fantasia.”.
            Em “Guriatã: um cordel para menino”, o personagem Leunam morre e se transforma em passarinho; em “Tua mão na minha”, a mãe de Dúnia morre e vai cuidar das aves celestes.
            O pássaro, com seu voo, seu desaparecer repentino, sua vida efêmera, sua plumagem e seu canto associa-se muitos vezes à morte. Vale lembrar versos do poema de Manuel Bandeira, “Preparação para a morte”:
 
            Cada pássaro,
            Com sua plumagem, seu voo, seu canto,
            Cada pássaro é um milagre.
                         
            Com relação às ilustrações deste livro, Walter Moreira Santos, assim se expressou:
            “Há 11 anos escrevo e ilustro para crianças, mas sabe de uma coisa? Quando li esta história mágica de Eloí Bocheco, fiquei tão encantado que tive receio de ilustrá-la, temendo que talvez minhas imagens não ficassem à altura do texto”. 
            Dividido em pequenos capítulos não numerados, este livro de Eloí Bocheco se inscreve no reino da prosa poética. Cada parágrafo é um convite à poesia.

 ( Publicado no jornal Contraponto. João Pessoa, junho de 2013)