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sábado, 27 de junho de 2009

MIA COUTO E HENRIQUETA LISBOA - PRÊMIOS FNLIJ/2009




MIA COUTO E HENRIQUETA LISBOA - PRÊMIOS FNLIJ/2009

(Neide Medeiros Santos – FNLIJ/PB)

Os escritores Mia Couto e Henriqueta Lisboa conquistaram os prêmios “O Melhor de Literatura em Língua Portuguesa – Prêmio FNLIJ Henriqueta Lisboa” e “O Melhor Livro de Poesia – Prêmio FNLIJ Odylo Costa, filho” em 2009. Seguem-se as duas resenhas que fizemos para os livros premiados.
Mia Couto, escritor moçambicano, é autor de livros para o público adulto e já recebeu vários prêmios, entre eles o prêmio Vergílio Ferreira pelo conjunto de sua obra. Agora, brinda os “pequenos” com este interessante livro – O gato e o escuro (Companhia das Letrinhas, 2008), ilustrações de Marilda Castanha.
Na apresentação, o escritor afirma que o livro para crianças surgiu “à força de contar histórias para meus filhos” e que inventa histórias para que a “Terra inteira adormeça e sonhe”. Nesse ponto, seu pensamento coincide com os versos de Drummond, no poema “Canção Amiga”:” Eu preparo uma canção/ que faça acordar os homens/ e adormecer as crianças”.
Mas vamos ao encontro do livro e da história do gato. Qual é o menino que não tem medo do escuro? Quase todos têm, o medo vem do desconhecido, do que não pode ser visto, assim Pintalgato, um gato-menino se identifica com todos os meninos do mundo, ele também tem medo do escuro e, no decorrer dessa breve história, toda mesclada de poesia, como bem frisa a ilustradora Marilda Castanha, o narrador vai procurando desmistificar o medo através da voz da mãe do gatinho e do encontro do Pintalgato com o próprio escuro. Frases bem curtas, ritmadas, alguns neologismos, certos regionalismos, dão um tom de criatividade ao texto de Mia Couto. Algumas vezes temos a impressão de que estamos diante de um texto de Guimarães Rosa para crianças.
Marilda Castanha se integrou na história e criou ilustrações em tons escuros, sombrios, quando o ambiente era de medo. Passado esse momento, as cores alegres voltam e reina o império dos tons amarelo e lilás.

Em 1943, Henriqueta Lisboa publicou O menino poeta, título do livro e do poema de abertura. Os anos se passaram, mas a beleza dos poemas continua encantando leitores de todas as idades. A reedição de 2008 O menino poeta: obra completa ( Peirópolis, 2008), ilustrações de Nelson Cruz, está primorosa e reúne vozes muito expressivas que formam um matizado perfeito. De um lado, temos os poemas de Henriqueta Lisboa, do outro, o prefácio de Bartolomeu Campos de Queirós, o poeta/escritor que sabe colorir as palavras com carinho e afeto, e o posfácio de Gabriela Mistral, a voz dos Andes chilenos que voou com asas de condor e ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1945, motivo de orgulho para os latinos da América. Henriqueta Lisboa está muito bem acompanhada.
Cecília Meireles, no poema “Reivenção” diz que “A vida só é possível reinventada”. Parodiando Cecília, Bartolomeu começa seu texto com esta afirmativa: “A infância é possível de ser reinventada, sempre”.
Cada poema do livro foi elaborado com muito esmero, com simplicidade, mas com profundidade. Quem não se recorda dos poemas “Segredo”, “Coraçãozinho”? Tão ingênuos, tocantes, tão puros. E o poema “Consciência”? Apesar dos sete anos, a criança dá seu grito de independência – “ fazer pecado é feio... mas se eu quiser eu faço”. O poema “Os rios”, uma composição com versos dissilábicos, diminutos, mas que encerram saberes e “profundos segredos”.
As ilustrações de Nelson Cruz são bem variadas, algumas apresentam apenas detalhes, como nos poemas “Nauta” (p.68) e “Esperança” (p. 69), outras levam o leitor ao devaneio. Examinemos a ilustração do poema “Cavalinho de pau” (p.16-17). O sonho de voar pelos ares se concretiza nesta ilustração – no cavalo de pau ou no alazão, o menino corta o céu e voa sobre a cidade.
Gabriela Mistral, no seu percuciente ensaio, afirma que o português se presta, “muito mais do que as línguas famosas, à poesia infantil”, pois nosso idioma é mais leve, mas terno, comparando-o ao italiano. Recorro, mais uma vez, a Bartolomeu Campos de Queirós para externar meu embevecimento por esse belo livro – “ os mais jovens têm em mãos um livro que vai durar para sempre”.

(Neide Medeiros Santos – Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil/PB.
Publicado em Prêmio FNLIJ 2009/Produção 2008, Concursos FNLIJ 2009. Rio de Janeiro: FNLIJ, 2009, p.17 e p.27)

Um comentário:

blog da criança disse...

nossa eu acheii muito legal
mas oque eu precisava mesmo era
4 poemas de henriqueta lisboa
se voces postasem isso no blog
meus amigos todos add o blog poiis
eu ando procurando poemas para a aula de literatura bj's espero que achem !!