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segunda-feira, 29 de março de 2010

Anne de Green Gables: um clássico canadense


Anne de Green Gables: um clássico canadense
(Neide Medeiros Santos- Crítica literária – FNLIJ/PB)

“(...) o lugar da infância, protegido nas mais caras memórias, permanece como ponto de referência e inatingível modelo a todos os outros, conhecidos apenas na vida adulta.”
(Anna Bajor Ciciliati. Apresentação do livro Anne de Green Gables)

“Anne de Green Gables” é um romance juvenil de Lucy Maud Montgomery, escritora canadense, escrito em 1908, que continua atraindo leitores do mundo todo. É considerado um clássico da literatura juvenil e já inspirou a criação de espetáculos teatrais, filmes, séries de televisão e desenhos animados. Em 2009, a editora Martins publicou a versão integral com tradução de Renée Eve Levié e Maria do Carmo Zanini.
Lucy Maud Montgomery gostava de ser chamada apenas de Maud, nasceu na Ilha Príncipe Eduardo, no Canadá. Perdeu a mãe quando contava apenas dois anos e foi criada pelos avós maternos, sob uma severa disciplina britânica.
Adquiriu o hábito de escrever diários na infância e manteve este gosto durante toda a sua vida. Já foram publicados três volumes de seus diários, outros estão aguardando publicação. A escritora morreu em 1942, estava com 68 anos. Lucy Maud era muito produtiva, mantinha uma rotina diária de escrever histórias e poemas. Costumava responder todas as cartas dos fãs com letra do próprio punho.
“Anne de Green Gables” foi seu primeiro livro. Seguiram-se muitos outros de uma série que inaugurou o ciclo de histórias de uma menina de cabelos ruivos, com temperamento semelhante à Alice, de Lewis Caroll, e à Emília, de Monteiro Lobato. Uma personagem impulsiva, determinada e tagarela (Anne Shirley).
A história de Anne Green Gables começa com um equívoco. Marilla Cuthbert e seu irmão Matthew resolvem adotar um menino órfão para ajudá-los nas tarefas da fazenda. O contato é feito através da Sra. Spencer, e Matthew fica encarregado de buscar o menino na estação de trem Bright River.
No dia combinado, Matthew saiu de casa bem cedo. Quando chegou à estação, encontrou uma menina mal vestida, de olhar assustado, esperando um portador. Ao conversar com o agente ferroviário, ficou sabendo que houve um engano – veio uma menina para ser adotada. Um pouco desapontado levou a pequena Anne para casa, mas já previa a reação da irmã -, ela não iria aprovar a troca.
A tagarelice e a espontaneidade de Anne, durante o trajeto para a fazenda Green Gables, cativaram Matthew. A menina via tudo com um novo olhar – às vezes mostrava uma cerejeira carregada de flores, outras vezes chamava a atenção para o deslizar suave de um regato. Esse olhar para as coisas da natureza com profunda admiração confirma o que disse certa vez o poeta grego Nikos Kazantzakis: “a criança enxerga o mundo sempre como de uma primeira vez.”
Marilla ficou contrariada, ela queria um menino para ajudar nas tarefas do campo. Isso não poderia ficar assim, e resolveu se entender com a Sra. Spencer.
Na conversa que manteve com a Sra. Spencer, esta revela que se não quisesse ficar com Anne poderia encaminhá-la para a senhora Blewett. A senhora Blewett era uma mulher “terrível na lida e no comando”, assim Marilla muda de opinião – ficará com a menina. Com o passar do tempo, Anne consegue conquistar o coração da solitária Marilla e do solteirão Matthew.
No ensaio a respeito desse livro, Anna Bajor Ciciliati faz estas observações que merecem registro: no início do século XX, a criança era retratada na literatura da época como “figurinha de papel”; Maud Montgomery seguiu os passos de Mark Twain e apresentou uma personagem que fugia dos modelos tradicionais, criou um ser humano dotado de sentimentos próprios e não uma mera cópia de pessoa adulta.
Quanto à boa aceitação desse livro, as palavras de Lucy Maud revelam o porquê do êxito dessa personagem: “Se dentro de mim houvesse apenas uma Anne, seria tão mais confortável, mas por outro lado nem pela metade tão interessante”.
Há livros que não envelhecem. “Anne Green Gables” é um deles, tornou-se, com o decorrer dos tempos, um clássico canadense.

5 comentários:

Raquel disse...

Nossa, muito lindo, vou ler o livro

Anônimo disse...

Estou devorando esse livro! terminei o primeiro volune doida para continuar conhencendo as aventuras da Anne.

Tainá Caroline disse...

Vc Saber me dizer qual e o 2 livro pq não sei o nome dele

Amanda disse...

O segundo livro é Anne of Avonlea! Só que a partir dele não tem mais edição traduzida para o português, só em inglês :(

Anônimo disse...

Li este livro , Anne me encantou , uma menina tagarela , que tem sua melhor amiga Diana . Aos poucos ela conquista o coração de cada um em Avonlea . Ela tem uma imaginação muito além . Amei o livro <3