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sexta-feira, 18 de junho de 2010

Clássicos Infantis Universais


Clássicos Infantis Universais
(Neide Medeiros Santos – Crítica literária FNLIJ/PB)

Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.
(Carlos Drummond de Andrade. Infância)

A escritora e ensaísta Ana Maria Machado escreveu um livro – “Como e por que ler os Clássicos Universais desde cedo” (Ed. Objetiva: 2002) que deve ser lido e relido por todos aqueles que querem saber um pouco mais sobre os clássicos infantis universais.
Partindo de sua própria experiência, a escritora conta como foi o seu primeiro contato com um livro clássico. Era muito pequena, ainda não sabia ler, e seu pai foi contando aos poucos, com suas próprias palavras, a história de Dom Quixote e Sancho Pança. Algum tempo depois, já familiarizada com o mundo das letras, leu “Dom Quixote das crianças”, na adaptação de Monteiro Lobato.
Neste livro/ensaio, Ana Maria Machado dá algumas dicas importantes sobre livros e leitura. Há duas coisinhas que consideramos fundamentais:
“Clássico não é livro antigo e fora de moda. É livro eterno que não sai de moda”.
“O primeiro contato com um clássico, na infância e adolescência, não precisa ser com o original. O ideal mesmo é uma boa adaptação bem-feita e atraente”. (2002: p.15)
Chamamos a atenção do leitor para esta segunda afirmativa. Existe quem condene as adaptações dos clássicos sob o argumento de que deturpam o texto original. Essa observação nem sempre é verdadeira. Ferreira Gullar traduziu e adaptou Dom Quixote de La Mancha para o público jovem com tanta mestria que mereceu o prêmio FNLIJ/2003, na categoria de Tradução/Jovem.
Seguindo a linha de traduções e adaptações cuidadosas, Ana Maria Machado cita, entre outros, Beatrix Potter (As Aventuras de Pedro, o Coelho), Carlo Collodi (Pinóquio), Charles Dickens (Oliver Twist), Daniel Defoe (Robinson Crusoé), J.R. Tolkien ( O Senhor dos Anéis), Jonathan Swift ( As Viagens de Gulliver), Lewis Carroll (Alice no País das Maravilhas), Mark Twain (As Aventuras de Tom Sawyer). Nesta lista, não falta o brasileiro Monteiro Lobato. Muitos são os autores e muitos são os livros citados. Vale uma consulta ao livro “Como e por que ler os clássicos universais desde cedo”.
Não sendo possível discorrer sobre cada um desses livros, optamos por Charles Dickens e a interessante história de “Oliver Twist” (Companhia das Letrinhas), uma adaptação de Naia Bray-Moffatt, com ilustração de Ivan Andrew e traduzido por Hildegard Feist.
O livro condensa a história de Oliver Twist, um menino órfão, criado em um orfanato onde é maltratado e explorado. Traz, ainda, informações sobre os costumes dos ingleses na época em que se desenrola a ação (inícios do século XIX), fotos de Londres antiga, ilustrações e descrições sobre o ambiente e o modo de viver dos londrinos.
“Oliver Twist” permite ao leitor conhecer Londres da época Vitoriana e saber alguns detalhes da vida de Charles Dickens. Quando criança, ele queria ser ator e sua grande paixão pelo teatro se evidencia em seus romances. Pela intensa dramaticidade, muitos foram adaptados para o teatro. É o caso de “Oliver Twist” em que a morte da personagem Nancy causou tamanha comoção no público que a peça foi proibida de ser representada durante certo tempo.
A vida das crianças pobres na época vitoriana era excessivamente dura. Trabalhavam muito e eram exploradas pelos adultos. Os pobres saíam do campo e iam à procura de trabalho nas cidades, moravam em cortiços, embaixo de pontes e em lugares insalubres. As doenças proliferavam e muitos morriam na infância. Oliver Twist vivenciou os dramas de um menino pobre e órfão.
A respeito desse livro, Ana Maria Machado assim se expressa:
“... acho que recomendaria “Oliver Twist” para uma iniciação jovem. É muito triste e pode até fazer chorar, mas é ótimo. (...) É um desses livros que a gente não consegue largar, vivendo os medos e os sustos de uma criança que foge dos maus-tratos e sai pelas ruas tentando de todo jeito sobreviver e escapar da maldade de adultos que tentam explorá-lo na marginalidade.” (p.104).

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