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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O arminho dorme – um romance histórico


O arminho dorme – um romance histórico
(Neide Medeiros Santos – Crítica literária da FNLIJ/PB)

Miña terra, miña terra,
terra donde me eu criei,
hortiña que quero tanto,
figueiriñas que prantei.
(Rosalía de Castro. Cantares gallegos)

“O arminho dorme” (Ed. SM, 2009) romance juvenil do escritor galego Xosé A. Neira Cruz, com tradução da professora Nilma Lacerda, ganhou o prêmio da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (2010) na categoria Tradução/Adaptação/Jovem.
Xosé A. Neira Cruz nasceu em Santiago de Compostela, cidade que este ano sedia o 32º. Congresso Internacional de IBBY que traz a seguinte temática: “La Forza das Minorias”. É formado em Filologia italiana e Jornalismo. Neira Cruz já escreveu roteiros para televisão e fundou a revista “Fadamorgana”, especializada em literatura infantil e juvenil. É autor de mais de trinta livros para crianças e jovens e recebeu diversos prêmios, entre eles “Barco a Vapor” (1997 e 1999), Merlin (1988 e 2000) e Lazarillo (2004). Atualmente, coordena a Comissão de Desenvolvimento de Projetos da International Board on Books for Young People (IBBY).
“O arminho dorme” foi considerado um dos dez melhores livros juvenis do mundo em 2006, pelo Banco do Livro da Venezuela, ganhou, ainda, o prêmio Raíña Lupa e constou da lista White Ravens, da Biblioteca de Munique. O sucesso do livro extrapolou as fronteiras da Galícia.
Ficamos conhecendo um pouco do autor e do sucesso do livro, vamos entrar no reino da história.

Uma pesquisa histórica envolvendo uma importante família de nobres italianos, assim pode ser definida a trama desse romance de Xosé A. Neira Cruz.
A narrativa começa com a abertura das tumbas da família Médici. Um manuscrito encontrado junto ao corpo de uma jovem vai desencadear o enredo do romance. A partir desse momento, a história é conduzida por esse manuscrito.
A protagonista do romance é jovem Bianca Capello, a dona do manuscrito, ela é filha bastarda do grão-duque Cosimo I, da família Médici, uma família de banqueiros muito rica que, no século XVI, dominou a Itália e transformou Florença a capital da Arte e da Cultura.
Através do manuscrito, uma espécie de diário, acompanhamos a vida da jovem Bianca e ficamos sabendo como foi sua primeira infância, a morte da mãe a sua vinda para o palácio dos Médici, após o reconhecimento da paternidade pelo pai.
A narradora recria o ambiente de Florença do século XVI, os dramas familiares da família Médici, as intrigas palacianas, o luxo e a grandeza desse período.
Bianca se torna uma moça de grande beleza, apaixona-se por Giulio de Camollia, filho mais novo do conde de Camollia e vive um grande amor, mas seu pai, como era costume naquela época, reservou um casamento de conveniência e a jovem recusa aceitar o noivo a ela destinado.
Xosé A. Neira Cruz explica que deve a gênese desse romance a contemplação de um óleo de Bronzino, pintor italiano das famílias palacianas da Itália, que retratou Bia de Médici (Bianca). Este retrato se encontra na Sala della Tribuna da Galeria della Uffizi (Florença). Uma troca de olhares entre a mulher retratada e o romancista deu início a tudo. Esta é a explicação que o autor dá aos leitores. Ficção e história caminham pari-passu.
Não devemos esquecer que o autor é estudioso da história italiana e fez muitas pesquisas para escrever esse romance que encanta pela poeticidade do texto. A lista de agradecimentos que se encontra nas últimas páginas do livro demonstra o teor da reconstituição da história.
Xosé A. Neira Cruz nasceu na mesma cidade de Rosalía de Castro – Santiago de Compostela. Rosalía de Castro é considerada a grande divulgadora da língua galega. O dia 17 de maio, data da publicação de “Cantares Gallegos” (Rosalía de Castro), é considerado o Dia das Letras Galegas.
A língua galega está muito próxima do português. Na formação dos dois povos – o galego e o português – existia uma unidade lingüística, era o galaico-português.

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