trilhas da literatura

sábado, 21 de maio de 2011

CONTOS DA NATUREZA DE PAÍSES DISTANTES-Dawn Casey


CONTOS DA NATUREZA DE PAÍSES DISTANTES
(Neide Medeiros Santos – Crítica literária – FNLIJ/PB)

Ouvir histórias antigas e agir de acordo com seus conselhos nos ajuda a seguir adiante, comprometendo-nos a zelar pelo amanhã.
(Dawn Casey. Contos da Natureza)

Dawn Casey é escritora e professora primária na cidade de East Sussex, Inglaterra. Gosta muito de histórias tradicionais e acredita que o folclore pode ajudar a responder perguntas sobre questões da humanidade. Neste livro, “Contos da natureza” (WMF Martins Fontes: 2010), ela reuniu contos de sete países diferentes, recontou-os e deu-lhes nova roupagem.
Austrália, Nigéria, Sudoeste dos Estados Unidos, Bali, Cazaquistão, Índia, País de Gales foram os países escolhidos para representar, através de contos, o amor à natureza, à Terra. Cada texto vem precedido de informações sobre o país que dá origem ao conto.
O primeiro conto “A Mãe Sol” vem da Austrália, um relato que remete ao mito da criação. É uma lenda dos aborígenes australianos. O sol aparece como criador do mundo, dos animais e do próprio homem. Depois que a tarefa foi concluída, a Mãe Sol sobe para o céu e deixa este recado: “Cuidem da criação. Por seus antepassados, zelem pela Terra. Por seus filhos e pelos filhos de seus filhos, zelem pela Terra”. (p.15)
Da Nigéria, um conto do povo edo “Por que o céu é tão longe”. Este conto fala sobre o vício da gula e do desperdício. Osata é uma mulher que nunca ficava satisfeita com o que comia, sempre queria mais e mais, desperdiçava comida. Um dia toda comida acabou e para resolver o problema Osata prometeu a Terra: “Nunca mais pegarei mais do que o necessário. Nunca, nunca mais.” (p.28)
Uma das lendas mais bonitas veio do Sudoeste dos Estados Unidos. É de origem indígena, do povo comanche. A personagem principal é uma menina que recebeu o nome de “Ela que Está Só”. A pequena era órfã de pai e mãe e a única coisa que possuía era uma bonequinha feita por seu pai de couro de antílope. Na terra que a menina morava, houve uma grande seca, as plantas murcharam, os rios secaram, não havia caça para matar a fome dos homens. Os índios rezavam ao Grande Espírito pedindo chuvas para amenizar a situação devastadora da seca. A solução encontrada pelo Ancião, espécie de sacerdote, foi fazer uma grande fogueira para homenagear o Grande Espírito. Cada pessoa deveria jogar no fogo seu bem mais precioso. Ninguém teve coragem de se desfazer dos seus bens, somente “Ela que Está Só”, que tinha apenas a bonequinha presenteada por seu pai, foi capaz de fazer esse sacrifício.
Realizada a cerimônia e queimada a bonequinha, voltou a chover sobre a terra, os campos floresceram, as colinas e os vales ficaram cobertos de flores azuis e brilhantes.
Depois desse fato, “Ela que Está Só” recebeu um novo nome dado pelo Ancião, passou a se chamar “Ela que Amou seu Povo” e a partir daquele dia, “sempre que surge a lua da primavera, o Grande Espírito se lembra da oferenda da menininha e enche de flores as colinas e os vales da região. São flores azuis e brilhantes, como borboletas.” (p. 40)
O conto de Bali é uma conversa entre os animais da floresta. Eles querem saber qual o papel de cada animal, todos participam - do mais poderoso, o tigre, até o menorzinho – o vagalume. Nessa história, o tigre funciona como o professor que ensina e dá lições aos alunos.
Do Cazaquistão, a história de um “Jardim Mágico” que surgiu da generosidade de dois velhos amigos e do sonho de um jovem.
O conto indiano tem origem nas tribos Bishnoi e baseia-se em uma história verdadeira. Os fatos narrados ocorreram em 1730 em uma aldeia conhecida por Khejarli. A história se prende à defesa das florestas.
Mulheres e crianças, compreendendo esposas e filhas, avós, lutam contra madeireiros para que não derrubem as árvores da região onde moram. Diante da insensibilidade do chefe dos madeireiros, as mulheres argumentam:
“Senhor, essas árvores são nossa vida. Suas raízes firmam o solo. Elas impedem os deslizamentos de terra na estação das monções. Sem elas, nossos campos e nossas casas seriam levados pelas águas.” (p.75)
Mas o chefe não cede aos argumentos das mulheres. Amrita, uma menina, usa um artifício capaz de solucionar o problema. Leiam o conto para saber qual foi o artifício utilizado por Amrita.
O último conto é do País de Gales – “Água malcheirosa” – e fala sobre o lixo que um casal depositava toda noite em um local que ia dar na casa de um duende. Diante da reclamação do duende, o casal procura uma solução e a mulher tem uma ideia salvadora.
É interessante observar nesses contos que as soluções para todos os problemas partem sempre de uma mulher ou uma menina. É a predominância do feminino, até o Sol é apresentado como Mãe Sol.
Este livro é uma leitura recomendada para todos aqueles que se preocupam com o desmatamento desordenado, com o futuro do nosso planeta, com a poluição ambiental. Quem sabe essa leitura não levará as pessoas a pensar de modo mais sensato! Este pequeno livro pode não mudar o mundo, mas ajuda a repensar a questão da sobrevivência do planeta Terra.
Anne Wilson fez as ilustrações em estilo naïf, todas relacionadas com os países de origem dos contos e com as histórias apresentadas. Os contos são bonitos, alguns cheios de ternura e as ilustrações ajudam a compreender melhor a cultura de cada país.
Explicação: Os comentários desta coluna são frutos de leituras de livros recebidos via Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. Leio-os, seleciono os melhores e apresento-os para os leitores. Depois de lidos, os livros cumprem uma nova missão – são distribuídos para bibliotecas de escolas públicas através do projeto “Mandala de Livros”. Este projeto está sob a nossa coordenação.

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