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sexta-feira, 29 de junho de 2012

A literatura infantil brasileira vai à Costa Rica


A literatura infantil brasileira vai à Costa Rica
(Neide Medeiros Santos – Crítica literária FNLIJ/PB)

            O domínio da língua espanhola (para os luso-falantes, no nosso caso) e da língua portuguesa (para os hispanos-falantes) é uma condição sine qua non para uma concretização sólida do intercâmbio principalmente cultural.
            (Marinalva Freire da Silva. O ensino da língua espanhola no Brasil: fator de inclusão social).


            Glória Valadares Granjeiro e Ninfa Parreiras, professoras e críticas literárias vinculadas à Fundação Nacional do livro Infantil e Juvenil, compilaram 25 contos infantojuvenis de escritores brasileiros que foram reunidos no livro “Cuentos infantiles brasileños” (San José. C.R. Editorama, 2011).
            Um livro desse porte exige um trabalho de muitas mãos – o embaixador Tadeu Valadares fez a apresentação; o escritor costariquenho Alfonso Chase- Brenes escreveu um texto em que ressalta a importância deste livro para “los ninos y los jóvenes” de Costa Rica; as organizadoras escreveram um texto discutindo os muitos caminhos que devem ser percorridos para se conhecer a literatura de um país.
Ao lado dos textos teóricos, o leitor encontra os contos selecionados, traduzidos por Jenny Valverde Chaves, as ilustrações em preto e branco de Marianela Solano Jimménez.  Não foi uma tarefa fácil, exigiu a colaboração de várias pessoas para a concretização deste livro e o estabelecimento salutar de um intercâmbio cultural.
Dentro de um universo de 25 contos, seria impossível falar sobre todos. Selecionamos alguns textos para breves comentários e deixamos a sugestão de leitura desses contos para os jovens leitores de Costa Rica, professores de espanhol no Brasil e para os alunos de nível médio. O ensino da língua espanhola consta do currículo das escolas brasileiras de acordo com a Lei 11.161, de 05 de agosto de 2005.
Ana Maria Machado e Lygia Bojunga Nunes abrem a coletânea com textos que foram mensagens que as duas escritoras escreveram para o Dia internacional do Livro Infantil (02 de abril data de nascimento de Hans Christian Andersen). Tanto Ana Maria como Lygia Bojunga escreveram sobre suas experiências com os livros.
Com o título: “Libros: el mundo en una red encantada”, Ana Maria fala sobre o seu primeiro encontro com o livro e isso ocorreu no escritório de seu pai. A menina era bem pequena, e vendo uma estátua de bronze com um cavaleiro delgado montado em um cavalo esquelético, seguido por outro cavaleiro gorducho montado em um burrico, perguntou ao pai quem eram aqueles dois. O pai foi até a estante e pegou um livro bem volumoso – “Dom Quixote”, mostrou a filha, explicou quem eram aqueles dois cavaleiros e começou a contar a história de Dom Quixote. Depois, quando aprendeu a ler,a menina passou a viver dentro dos livros, como Dom Quixote.
Lygia Bojunga escreveu o texto: “El intercambio” e fala sobre o fascínio que os livros sempre exerceram na sua vida. Quando bem pequena, na fase que ainda não sabia ler, Lygia brincava com os livros, fazia casinha com eles e quando a casa estava pronta entrava dentro daquela construção e imaginava que estava dentro de um livro.
Os contos estão agrupados de acordo com as décadas em que foram publicados. Da década de 60 do século XX até 2000, vinte e cinco escritores de renomado valor literário estão presentes nesta coletânea. Ressaltamos a importância deste livro – escritores brasileiros tiveram seus textos traduzidos para o espanhol e as crianças de Costa Rica puderam ter o contato com o melhor da literatura infantil brasileira nos últimos 40 anos.
As organizadoras foram cuidadosas ao selecionar os textos de escritores das cinco regiões brasileiras. Para exemplificar, citamos esses autores que representam suas respectivas regiões: Yaguarê Yamã (região amazônica); André Neves (nordeste); Bartolomeu Campos de Queirós (sudeste); Eloí Elisabete Bocheco (sul); Roger Mello (região central, Brasília). Ana Maria Machado e Lygia Bojunga são, respectivamente, do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul.
Não falta a presença de escritores/ilustradores, assim comparecem: Ziraldo, Guto Lins, André Neves e Fábio Sombra.
O texto de Ziraldo não é um conto, o autor discorre sobre a miscigenação de raças e dá relevo à poesia do guatemalteco Humberto Ak´bal. Em seguida, o escritor/ilustrador escreve sobre sua infância passada em pequenas cidades do interior de Minas Gerais. É um texto ligado à memória afetiva do autor.
Após os contos, os leitores encontram uma mini biografia de cada escritor; uma bibliografia sobre literatura infantil e brasileira; os principais blogs brasileiros dedicados à literatura infantil, as instituições que promovem a leitura e os blogs individuais dos autores.
Depois da leitura desses contos, as crianças de Costa Rica ficarão com uma visão ampla da produção literária produzida no Brasil nos últimos anos, e saberão um pouco mais da história do nosso povo.   Os adolescentes e jovens brasileiros irão adquirir um melhor conhecimento da língua espanhola.

NOTAS LITERÁRIAS E CULTURAIS
MONTEIRO LOBATO

O cronista Gonzaga Rodrigues, na sua coluna do dia 24/06/2012 – Jornal da Paraíba – “Lobato”, faz esta instigante pergunta: “Será que Lobato ainda serve de presente?” Na dúvida, entrou na livraria e comprou um livro de Lobato para a neta Milena, de nove anos.
Se Lobato não figura mais nas estantes das crianças do século XXI, os especialistas e estudiosos da obra de “Zé Bento” continuam se debruçando sobre o “universo encantado” do criador do sítio do Picapau Amarelo.
Recentemente, o professor paraibano Simão Farias Almeida defendeu tese de doutorado em Literatura Brasileira (UFPB) sobre a obra de Lobato. Em 2009, “Monteiro Lobato, livro a livro” (São Paulo: Editora UNESP/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo), organizado por João Luís Ceccantini e Marisa Lajolo ganhou dois importantes prêmios nacionais – o  Prêmio Jabuti –” Livro do Ano”, área de Teoria/Crítica Literária e o selo “Altamente Recomendável” da FNLIJ.  
Louvável a atitude do cronista ao comprar um livro de Lobato para a neta.

REVISTA CRESCER

A revista Crescer (Editora Globo) publica, no mês de junho, uma seleção dos “30 Melhores Livros Infantis do Ano”. Esta seleção é feita por “especialistas e apaixonados por literatura infantil” (Revista Crescer, p. 58).
Participamos desse processo seletivo e aqui vão alguns livros selecionados: “Museu Desmiolado” (Ed. Projeto), do poeta e músico gaúcho Alexandre Brito, com ilustrações de Graça Lima. “São ao todo mais de 20 invenções malucas retratadas em poemas repletos de musicalidade, humor e irreverência”. Indicado a partir dos 7 anos. “O Alvo” (Ed. Ática) de Ilan Brenman, ilustrado por Renato Moriconi. Este livro mostra o poder de contar uma bela história e constou do catálogo “White Ravens” 2012, uma seleção internacional feita pela Biblioteca Internacional da Juventude (Munique, Alemanha), a maior biblioteca de literatura infantil do mundo, foi destaque na Feira de Livros Infantis de Bolonha (Itália, 2012) e recebeu o Prêmio “ Melhor para Criança” da FNLIJ/2012. É indicado para crianças de 5 anos. “Árvores do Brasil – cada poema no seu galho” (Ed. Peirópolis), textos de Lalau e ilustrações de Laura Beatriz. “A dupla não cansa de falar sobre meio ambiente e natureza. Em poema e ilustrações marcantes, nos alertam e nos encantam para o assunto sem ser ecologicamente corretos”. O livro destaca 15 árvores brasileiras. Indicado para crianças de 7 e 8 anos. “Os Heróis do Tsunami”, com texto e ilustração de Fernando Vilela. Há muitos outros livros que foram selecionados por 42 especialistas. A relação de todos os livros se encontra nas páginas (50 a 58). O nome dos jurados, na página 58. 
            Este ano a revista Crescer criou o Troféu Monteiro Lobato que foi entregue a Fernando Vilela em festa comemorativa na entrega de prêmios aos autores dos livros selecionados. Fernando Vilela, escritor e ilustrador brasileiro  foi o ganhador do troféu. O livro de Vilela – “Os heróis do tsunami”  (Ed. Brinque-Book) consta da lista dos 30 Melhores Livros Infantis do ano da revista Crescer.  

Um comentário:

Anônimo disse...

Gostaria de adquirir o livro “Cuentos infantiles brasileños”. Onde posso encontrá-lo?