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sábado, 2 de janeiro de 2010

LYGIA BOJUNGA: uma escritora universal


LIVROS&LITERATURA
(Neide Medeiros Santos – Crítica literária FNLIJ-PB)

LYGIA BOJUNGA: uma escritora universal

A espantosa realidade das cousas
É a minha descoberta de todos os dias.
(Alberto Caeiro, citado por Lygia Bojunga Nunes. Livro. Um encontro)

Lygia Bojunga Nunes foi a primeira escritora brasileira a receber o Prêmio Internacional Hans Christian Andersen (1982) de literatura infantil que equivale ao Nobel de literatura para adultos. Em (2000), outra brasileira conquistou o mesmo prêmio – Ana Maria Machado. Essas conquistas indicam que a literatura infantil brasileira vai muito bem.
O Prêmio Hans Christian Andersen é entregue ao vencedor durante a realização do Congresso IBBY que ocorre de dois em dois anos. Em 2008, o país escolhido foi a Dinamarca (Copenhague), terra de origem do autor que dá título ao prêmio. Em 2010, será em Santiago de Compostela.
Quando Lygia foi agraciada com o Prêmio Andersen, os membros do júri assim se manifestaram:
É um dos autores mais originais que já tivemos oportunidade de ler. Tem uma linguagem absolutamente própria, que prende o leitor. E cada frase tem uma mensagem subjacente.
(...)
Ainda que profundamente fiel às fontes brasileiras, tem uma ressonância universal. Vai ser um clássico mundial.
Esta parte do parecer dos jurados que transcrevemos se encontra no livro de Laura Sandroni De Lobato a Bojunga: as reinações renovadas. (Ed. Agir, 1987).
Lygia Bojunga ganhou outro prêmio internacional muito importante – o Prêmio ALMA (Astrid Lindgren Memorial Awards), criado pelo governo da Suécia. É considerado o maior prêmio mundial em prol da literatura para crianças e jovens.
Com o dinheiro do prêmio, Lygia realizou o grande sonho de sua vida: criou a Fundação Cultural Casa Lygia Bojunga, no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, destinada a apoiar projetos culturais. A casa funciona, também, como editora e abriga seus livros e suas personagens.
A produção literária de Lygia Bojunga foi objeto de muitas dissertações, de teses, variados estudos e análises. Na UFPB, a professora Margaret Asfora defendeu dissertação de Mestrado sobre a obra de Lygia nos idos de 1980.
Sob o ponto de vista linguístico, os livros desta autora são inovadores. Durante certo tempo, em Portugal, havia restrições à literatura de Lygia. Os portugueses queriam que a escritora escrevesse de um modo mais próximo do falar culto da língua portuguesa, Lygia resistiu e não cedeu aos caprichos dos irmãos lusitanos. “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” dizia Camões, e o tempo se encarregou de destruir essa exigência mesquinha.
Em 2007, a publicação de Dos Vinte 1 marca um reencontro com o universo bojunguiano. Através de uma seleção cuidadosa feita pela autora, vamos encontrar excertos de textos de todos os seus livros. Quem pensava que Lygia estava encerrando sua carreira literária com essa seleção de textos, enganou-se. Em 2009, surge um novo título – “Querida”.
“Querida” trata de um tema recorrente na obra de Lygia – o problema da Arte. O protagonista desta novela é o menino Pollux que, após a morte do pai e o novo casamento da mãe, sente-se desprezado pela mãe e perseguido pelo padrasto. Pollux procura uma saída para resolver seu drama interior e vai à procura do tio Pacífico, um tipo excêntrico e distanciado da família que morava em um sítio distante do Rio de Janeiro. (Pollux morava no Rio com sua mãe). Até o nome do sítio é motivado semanticamente – “Retiro”.
O tio Pacífico guarda um segredo e Pollux vai tentar descobri-lo. Aquele tio, indiferente aos familiares, tinha uma história que despertava a curiosidade do menino. Pouco a pouco o leitor vai descortinando os mistérios da vida de Pacífico, tudo feito com muita sutileza e criatividade. Em cada frase descobre uma “mensagem subjacente”.
O Teatro e a Literatura se entrecruzam na vida de Pacifico e Pollux. Mais uma vez, Lygia privilegia as Artes. Sua iniciação artística começou com o teatro, depois enveredou para a literatura. Muitos livros dessa escritora se vinculam a essa experiência inicial. O monólogo “Livro. Um Encontro” que percorreu vários estados do Brasil, incluindo-se João Pessoa (Paraíba), é um atestado do seu apreço pelo gênero teatral.

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