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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

LEITURAS NATALINAS (2)





LEITURAS NATALINAS (2)
(Neide Medeiros Santos – Crítica literária FNLIJ-PB)

FELIZ de quem, quando o ano termina,
possui um doce e acolhedor abrigo:
a companheira, o filho, a avó tão rara
ou mesmo o amigo
com quem possa se reunir em Cristo.
(Jorge de Lima. Natal)

Neste Natal, além dos tradicionais cartões natalinos, dos e-mails com votos de Boas Festas, envie livros para os amigos. Poderá ser um livro com o título “Cartão Postal”. Gostou da ideia? Saiba que existe um bonito livro escrito por Luiz Raul Machado, ilustrado por André Neves que traz este título, uma publicação da DCL (2010).
A história desse livro gira em torno de um menino que era dono de um cartão postal que ficava sobre sua mesa, mas não era um cartão postal comum, dentro dele havia um lago e no lago morava uma fada. De tanto olhar o cartão o menino terminou morando dentro do cartão. O menino e a fada se tornaram grandes amigos, conversavam muito, conversas que só menino e fada são capazes de entender.
Às vezes, o menino estava triste e contava para a fada a razão de sua tristeza, outras vezes estava alegre falava sobre as pequenas alegrias. E o menino contava histórias à fada – a história do soldadinho de chumbo e outras histórias que a fada sabia de cor e salteado. A fada também contava história de peixes, de pedras e plantas e, se o menino já sabia, fazia de conta que era novidade. Menino e fada se entendiam muito bem.
O ilustrador André Neves deu um mergulho na história e como gosta muito de água usou e abusou do azul, afinal a fada da história morava em um lago.
“Cartão Postal” remete a outras leituras – no último capítulo, aparece uma citação de um trecho do livro “Pinóquio”, uma tradução de Monteiro Lobato, e um poema do livro” Cabeças”, de Eudoro Augusto.
A leitura é simbólica e cheia de sugestões e permite que o adulto mergulhe no lago e viva as mesmas aventuras do menino e da fada.
E qual seria o quinto livro recomendado? Escolhemos um livro que fala sobre livros – “Sábado na livraria”, de Sylvie Neeman, ilustrações Olivier Tallec (Cosac Naify, 2010). No Brasil, o livro foi traduzido por Cássia Silveira. O título original em francês é “Mercredi à la librairie”.
A história versa sobre o encontro entre uma menina e um velho. Os dois sempre se encontram na livraria, mas leem livros bem distintos A menina gosta de ler quadrinhos, o velho lê um livro bem volumoso, às vezes os olhos lacrimejam e vem a desculpa: “Olhos envelhecidos lacrimejam mais facilmente”.
Enquanto a menina lê bem rápido, o velhinho lê mais devagar. Ele gosta de histórias de guerra. Todo sábado é a mesma rotina – os dois visitam a livraria, trocam algumas palavras e sentam para ler suas leituras prediletas.
A publicação desse livro em português proporcionou, no Brasil, vários depoimentos de donos de livrarias, professores, críticos de arte.
Yacy Mattos, da Livraria Malasartes, no Rio de Janeiro, escreveu um texto discorrendo sobre o livro de Sylvie Neeman e relatou suas experiências como leitora e as atividades que desenvolve na livraria que dirige há cerca de 30 anos.
Verônica Stigger, crítica de arte e professora universitária, lembra que o livro ativou uma série de recordações, passando por sua infância até as visitas aos sebos de Porto Alegre, na idade adulta.
Os dois livros que citamos esta semana são destinados às crianças, mas certamente os adultos poderão ler com prazer, pois falam de coisas que tocam a sensibilidade do leitor.
É possível fazer compras de livros pela internet, pedir livros por reembolso postal, mas nada é comparável à sensação de ir à livraria, examinar o livro, tocá-lo, senti-lo, comprar e levar para casa o “objeto sagrado”, como chamava Jean-Paul Sartre.

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