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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

É tempo de almanaque

É TEMPO DE ALMANAQUE
(Neide Medeiros Santos – Crítica literária – FNLIJ/PB)

O Tempo inventou o almanaque... E choviam almanaques, muitos deles entremeados e adornados de figuras, de versos, de contos, de anedotas, de mil coisas recreativas.
(Machado de Assis. In: Almanaque Machado de Assis, de Luiz Antonio Aguiar)

O almanaque é um livreto muito antigo e já circulava, no Brasil, na época de Machado de Assis. Apresentava assuntos variados, curiosidades, contos, poemas, matéria humorística e recreativa. O bruxo do Cosme Velho era um leitor assíduo dos almanaques.
Os almanaques do “Capivarol” e do “Biotônico Fontoura” eram distribuídos nas farmácias e lidos por crianças e adultos nos anos 30, 40 e 50 do século XX. O “Almanaque do Tico-Tico” era vendido nas bancas de revistas e jornais.
Raimundo Magalhães Jr., na biografia que escreveu sobre a vida de Augusto dos Anjos – “Poesia e Vida de Augusto dos Anjos” (Civilização Brasileira/MEC/INL, 1977), relata que Augusto dos Anjos era leitor de almanaques e o gosto pelas charadas, logogrifos, enigmas pitorescos e adivinhações, certamente, adveio dessas leituras.
No livro “Confesso que li” (Ideia, 2012), o poeta José Leite Guerra e o jornalista William Costa relembram, entre as leituras da infância, o “Almanaque do Tico-Tico” (José Leite) e o “Almanaque Fontoura” (William). José Leite ganhou de um tio, como presente de Natal, o “Almanaque do Tico-Tico”. William Costa trazia para casa o “Almanaque Fontoura” que pegava no balcão da farmácia. À noite, lia para seu Chico, um vizinho que não sabia ler, as histórias do Almanaque. Sério e compenetrado, sentia-se orgulhoso porque já era um menino leitor.
Os almanaques não morreram, sofreram modificações e hoje estão vestidos de nova roupagem. Em 2011, a Editora Ática publicou “Almanaque Ática - Recreio” (Ed. Ática, 2011), reunindo textos literários publicados na revista Recreio e outras matérias divertidas. Joel Rufino dos Santos e Ana Maria Machado, escritores atuantes dessa revista, comparecem neste novo almanaque com as histórias apresentadas nos anos de 70/80 do século XX. Foram introduzidos textos de escritores mais modernos, como Ângela Carneiro e Rosana Rios. O livro foi ilustrado por várias mãos.
“Almanaque Ática - Recreio” está dividido em dez capítulos temáticos: Escola, Natureza, Fantasia, Brasil, Saúde, Folclore, Família, Esportes, Arte e Férias. Cada capítulo está subdividido em várias seções, mas, em todos os capítulos, dois assuntos estão sempre presentes – Literatura e Criatividade.
No primeiro capítulo – Escola aparece os seguintes itens: Literatura, Humor, Profissão, Teste, Convivência, Atitude, Criatividade. Uma amostragem de cada seção do primeiro capítulo nos dá uma visão do conteúdo do livro.
Literatura – o texto escolhido é de Fernanda Lopes de Almeida, “A Professora de Horizontologia”, um excerto do livro” A Fada que tinha ideias” que foi muito lido nos anos 1980 nas escolas por alunos e professores. A protagonista da história era uma professora, a fadinha Clara Luz, que utilizava métodos bem modernos de ensino. Este livro teve inúmeras reedições.
Humor – a parte de humor compreende piadas, anedotas que devem ser memorizadas para as crianças se divertirem com os colegas.
Profissão – a profissão destacada é do bibliotecário. E quem é o bibliotecário? “É aquele que ajuda a escolher livros legais e outras fontes bacanas de conhecimento para que a biblioteca fique sempre atualizada”. (p. 15).
Teste – são apresentados enigmas de Matemática com problemas para a criança resolver. As respostas podem ser conferidas no final da página e o leitor soma 1 ponto para cada resposta certa.
Convivência – este item procura ensinar a boa convivência na escola entre colegas e professores. Evitar as brincadeiras de mau gosto, procurar gravar o nome dos colegas, ser cordial com todos. São regras de bem viver.
Atitude – está relacionado com o anterior. Orienta a não colocar apelidos maldosos nos colegas, pior se esse apelido for por alguma deficiência física. É um assunto que requer muita cautela.
Criatividade – nesta última parte, a criança é convidada a fazer pequenos trabalhos manuais, como marcadores de livros, criar uma pasta exclusiva, um trabalho com papel recortado em estilo mosaico, semelhante aos trabalhos feitos com pedaços de cerâmica, cacos de vidro. Aqui, a hora e a vez é da imaginação.
Os leitores dos antigos almanaques, certamente, irão encontrar muitas afinidades entre o “Almanaque da Revista Recreio” e os almanaques do tempo perdido.

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