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sábado, 28 de julho de 2012

As viagens de Thomas Kyd


As viagens de Thomas Kyd
(Neide Medeiros Santos – Crítica literária FNLIJ/PB)

             A arte de viajar é uma arte de admirar, uma arte de amar. É ir em peregrinação, participando intensamente de coisas, de fatos, de vidas com as quais nos correspondemos desde sempre e para sempre.
            (Cecília Meireles. Crônicas de viagem).

            Sheila Hue, escritora brasileira, é coordenadora do Núcleo de Manuscritos e Autógrafos do Real Gabinete Português de Leitura (Rio de Janeiro) e autora do livro “O livro negro de Thomas Kyd” (FTD, 2011). Este livro recebeu o Prêmio “Autor Revelação”, em 2012 (FNLIJ).
            Fruto de muitas pesquisas, o livro trata do tema de viagens marítimas no século XVI. Estudiosa da História do Brasil e da Literatura Portuguesa, a autora não se detém apenas em narrar fatos corriqueiros que aconteciam durante a travessia pelo imenso Oceano Atlântico, seu olhar se volta para a análise de alguns personagens, entre eles o almirante Sir Thomas Cavendish, “conhecido por ser um homem mau e egoísta.”.
            As memórias de Thomas Kyd, nas palavras de Sheila Hue, foram livremente inspiradas na viagem real da frota de Thomas Cavendish em 1591 ao Novo Mundo. A narrativa se prende ao período do reinado de Elizabeth I (1558-1603), época áurea da marinha inglesa.     
            Thomas Kid é o personagem narrador, o herói desta história/estória fabulosa. Sem família e sem profissão, o garoto, ávido por aventuras marítimas, embarca na frota de Sir Thomas Cavendish, comandante inglês, “o navegador mais célebre de seu país.” Era a segunda vez que o comandante ia dar a volta ao mundo.
Thomas Kyd iniciou a viagem no Leicester, o galeão do próprio Sir Thomas Cavendish. Neste navio imperava o luxo. As cabines eram cheias de objetos ricos, tapetes, louças finas.  Belas lamparinas mantinham o navio sempre muito bem iluminado. Na companhia do comandante, viajavam nobres ingleses, seus músicos particulares e dois japoneses capturados por Cavendish em suas longas viagens. Falavam uma língua estranha e eram chamados de Christopher e Cosmus. Embora não entendesse a língua dos  japoneses, Thomas Kyd aproximou-se deles e manteve uma amizade fraterna durante toda viagem.  
Quando atravessavam a linha do Equador, houve calmaria e o navio ficou vários dias parado. Passada a calmaria, a frota composta de quatro navios retomou a rota traçada e chegou à terra firme.  Ancoraram ao largo de uma ilha encantadora, toda coberta de uma vegetação muito verde, com um mar inteiramente transparente. Havia peixe em abundância, mas por ordem de Cavendish não era permitido pescar. A ilha era Placência, nome pelo qual era conhecida a Ilha Grande, em Angra dos Reis. Esta ilha era muito frequentada pelas frotas inglesas no século XVI.
Ao chegar ao Novo Mundo, o menino teve o desapontamento de ver que, ao contrário de tudo que tinha ouvido, a terra não era rica. Os moradores, “homens-pássaro” (índios), possuíam apenas algumas ferramentas, vasilhas feitas com frutas e madeiras da terra, anzóis, facas e cordas. O que mais o impressionou foi a exuberância da flora – grandes árvores, folhas verdes e brilhantes, flores de todos os formatos, tamanhos e cores.  
Depois de Placência, a frota prosseguiu viagem para a vila de Santos, sul do Brasil e Patagônia. Mas o que causava estranheza ao menino era o modo como Cavendish tratava os tripulantes – dava chutes, enforcava-os, jogava-os no mar sem nenhum motivo. Apesar da beleza do mar e do céu, das bonitas noites de luar, das infinitas estrelas, o clima no navio era desagradável.  
Muitas aventuras e desventuras são descritas e narradas pelo personagem narrador. Para conhecê-las, o melhor é adquirir o livro e desfrutar da leitura com o pensamento voltado para o século XVI. 
“O livro negro de Thomas Kyd” traz ilustrações de Alexandre Camanho que foram desenvolvidas a partir do texto e não em cima do texto, conforme explicação do próprio ilustrador. Camanho utilizou desenhos de bico de pena e aquarela. A ilustração retrata muito bem o ambiente das grandes navegações – a indumentária dos personagens, os tipos de navios da época,  os “homens-pássaro”, primeiros habitantes  do Brasil, não faltando o desenho do mapa com o roteiro da viagem.
Tudo neste livro é bem apresentado – diagramação, capa, escolha do papel, tipo de letra, numeração das páginas. É livro para deitar o olhar e se apaixonar, principalmente alunos e professores de História.  

2 comentários:

Anônimo disse...

amei esse livro muito bom!

Anônimo disse...


esse é maravilhoso livro já li varias vezes e não me canso de ler...