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sábado, 24 de janeiro de 2009

escrever e ilustrar livros para criancas e jovens


Artigo - Escrever e ilustrar livros para crianças e jovens

No desenho, como na poesia, falamos por metáforas. Somamos as imagens arquetípicas e ainda nossos recursos de uso da linha e da cor.

(Ângela Lago. A Leitura da Imagem. In: Nos Caminhos da Literatura)

Neide Medeiros Santos, Crítica literária da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil/Paraíba

A Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil e o Instituto C&A promoveram, em São Paulo, entre os dias 22 e 24 de agosto de 2008, o Seminário "Prazer em Ler de Promoção da Leitura" que contou com a presença de escritores, ilustradores, professores e especialistas em literatura infantil. Foram seis conferências, cinco mesas de debates e 17 palestrantes do Brasil, Espanha, Argentina e Colômbia. Quem não teve a oportunidade de estar presente a este grande evento, poderá ter acesso ao que foi discutido durante esses dias com a leitura do livro "Nos caminhos da literatura" (Peirópolis, 2008).

Com o objetivo de oferecer uma visão panorâmica deste Seminário, vamos destacar algumas passagens dos textos que foram apresentados pelos escritores, ilustradores e por aqueles que estão envolvidos com problemas pertinentes à leitura e à literatura para crianças e jovens.

Teresa Colomer, espanhola, com formação em filologia hispânica e catalã, é doutora em ciências da educação. "Andar entre livros: a leitura literária na escola" (p.16-24) foi a conferência que abriu os trabalhos do Seminário. A educadora catalã se propôs a organizar um modo de pensar da leitura de livros em quatro âmbitos: ler, compartilhar, expandir e interpretar.

Ângela Lago, escritora e ilustradora mineira, com o texto "A leitura da imagem" (p. 28-31), deu ênfase à ilustração no livro infantil e discorreu, entre outros aspectos, sobre a metáfora, figura que está presente tanto na fala como no desenho.

Graça Lima, ilustradora carioca, apresentou o texto "Lendo imagens" (p.36-43) e frisou que, durante muito tempo, vigorou a idéia de que o papel do ilustrador era embelezar o texto, atualmente a tendência é examinar o livro como um conjunto global, o que possibilita uma leitura dupla, fonte de reflexões e questionamentos.

Ana Maria Machado, consagrada escritora brasileira, discorreu sobre "Alguns equívocos sobre leitura" (p. 48-67) e relatou a sua participação em um grande encontro realizado em Santiago do Chile (2005) sobre formulação de políticas de leitura. Na opinião da escritora, existem muitos equívocos com relação a esse assunto e ressaltou que, durante a sua palestra naquele evento, destacou a necessidade de formar professores leitores.

Xosé Antonio Neira Cruz, espanhol da região da Galícia, com o texto "Ler e escrever: os prazeres da intimidade com o livro" (p. 71-91), discutiu, entre outros aspectos, os problemas de uma sociedade globalizada onde, muitas vezes, o livro é considerado um entulho ou apenas um objeto de decoração.

O lingüista Luís Percival Leme Brito apresentou o texto "Literatura, Conhecimento e Liberdade" (p. 95-101) e lançou a pergunta: "O que faz a literatura - conhecimento ou entretenimento?" e teceu considerações sobre esses dois aspectos, enfatizando que a literatura deve ser uma forma de conhecer.

Daniel Munduruku, no texto "Educação indígena: do corpo, da mente e do espírito" (p.104-110), destacou a importância do sonho na cultura indígena e a valorização dos mais velhos, considerados os "guardiões da memória".

A professora Regina Zilberman, com a palestra "O ensino médio e a formação do leitor" (p. 113-117), analisou as questões de literatura dos vestibulares e criticou o reducionismo e simplificação com que são apresentadas no que se refere aos autores, às obras e às tendências literárias.

Marisa Lajolo, estudiosa da obra de Monteiro Lobato, falou sobre a correspondência de Lobato com a menina Maria Luiza, uma gauchinha de Pelotas - "Monteiro Lobato, um correspondente muito especial" (p. 121-128). São apresentadas apenas duas cartas, datadas de 1936, mas que deu margem a considerações bem interessantes. Só ficamos sabendo do conteúdo das cartas de Lobato e Lajolo, em análise percuciente, vai discutindo, passo a passo, o conteúdo dessas duas cartas.

A colombiana Silvia Castrillón é biblioteconomista e já participou de inúmeras atividades de fomento à leitura na Colômbia. O texto que apresentou - "Da leitura da palavra à leitura do mundo" (p. 130-136) está centrado no trabalho que vem desenvolvendo, em seu país, de promoção da leitura. Como coordenadora de programas de leitura, ela frisa que uma das condições básicas é "alentar de maneira permanente uma reflexão acerca da leitura e da escrita, e sua promoção". (p. 134).

Cecília Bettolli é argentina, professora e coordenadora de programas de leitura em Córdoba Com o texto "Infância - Literatura - Leitura. Alguns marcos dessa trama na Argentina" (p. 141-156) analisou a criança como sujeito histórico e social, como objeto de consumo e sujeito de direito e concluiu seu texto com uma citação do educador Paulo Freire.

O texto do escritor Bartolomeu Campos de Queirós não traz título (p. 158-163) e como ocorre com tudo que escreve, é afetuosamente poético. Ele fala sobre o valor do silêncio, do afeto e da fragilidade na literatura.

Marina Colasanti, ao apresentar "Avaliando uma dívida com a leitura" (p.166- 170), procurou demonstrar o real valor da leitura na vida dos escritores e foi enfática nas afirmativas: "A leitura, é sem duvida, o que mais diretamente me levou a escrever" (p.166) e prossegue:" A leitura me ensinou a escrever e me ensinou a fantasiar". (p. 167). E conclui com um recado para aqueles que pretendem ser escritores: "Se não for para provocar reflexão, não vale a pena escrever". (p.170).

A professora Nilma Gonçalves Lacerda, autora de bons livros para crianças e jovens, discorreu sobre "Leitura: uma escolha de caminhos" (p. 175-179) iniciou seu texto com uma citação de Dante Alighieri (A Divina Comédia) e discutiu aspectos relacionados com as escolhas das leituras e de suas próprias leituras na juventude.

O escritor e ilustrador Ricardo Azevedo em "Armadilhas para a formação de leitores: didatismo, sistema cultural dominante e políticas educacionais (p.182-208) revelou sua preocupação com o trabalho que as escolas desenvolvem com livros de ficção e de poesia e afirmou:" a escola, com poucas exceções, não sabe o que fazer com a literatura" (p. 183).

Nelly Novaes Coelho, professora e historiadora da literatura infantil brasileira, na conferência "Leitura e Literatura em Tempos de Internet" (p. 213-216) externou sua preocupação com o dialeto "internetês" e a ameaça da degradação ou deterioração da língua portuguesa. Para a professora, "a língua materna é o elemento primordial na construção de um povo". (p.216)

Laura Sandroni, especialista em literatura infantil, apresentou a palestra "A década de 70 e a Renovação da Literatura Infantil e Juvenil" (p. 219-228) e traçou um panorama da literatura infantil brasileira. A publicação do livro" A menina do Narizinho Arrebitado" (1921) pode ser considerado um marco da literatura infantil no Brasil. Laura considera que, com Lobato, a literatura infantil deu um "salto qualitativo" se compararmos com os autores que o precederam. Prosseguindo, a palestrante fez um balanço da atual literatura infantil no Brasil e citou os principais autores da atualidade nos diferentes gêneros: ficção, poesia, teatro, não esquecendo os ilustradores.

O livro se fecha com este texto de Laura Sandroni. "Nos caminhos literatura" é uma leitura indicada para professores e para todos aqueles que se preocupam com o destino da escola brasileira, do livro e da leitura.

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