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sexta-feira, 30 de julho de 2010

MALBA TAHAN: O mago da literatura juvenil brasileira









MALBA TAHAN: O mago da literatura juvenil brasileira
(Neide Medeiros Santos – Crítica literária da FNLIJ/PB)

O viajante deslumbrado
lê o livro com a certeza
de que o deserto tão falado
é um oásis de beleza!
(A. Monteiro. A sombra do arco-íris. Para Malba Tahan)

Júlio César de Mello e Souza foi figura de destaque no magistério brasileiro no início do século XX. Nasceu no Rio de Janeiro e aí estudou. Formou-se em engenharia e dedicou-se ao ensino como professor de matemática no Colégio Pedro II e na Universidade do Brasil (Rio de Janeiro). Publicou livros didáticos de matemática e geometria. Anos mais tarde enveredou para a literatura e utilizou o pseudônimo de Malba Tahan. Nessa fase, escreveu livros que retratavam as tradições e os costumes árabes. O pseudônimo suplantou o nome próprio e ficou conhecido no mundo das letras como Malba Tahan. O professor e autor de livros didáticos caiu no esquecimento.
A professora Nelly Novaes Coelho, no Dicionário Crítico da Literatura Infantil/Juvenil Brasileira, afirma que Malba Tahan não foi um “inventor literário, no sentido amplo do termo, mas com um talento especial conseguiu recriar ou inventar, a partir de modelos originais, uma série de lendas, romances ou contos maravilhosos, onde a atmosfera oriental era o ponto básico”. ( 1983: 575)
“O homem que calculava” é um dos seus livros de mais sucesso e com maior número de edições. Em 2002, a editora Record publicou duas edições – a 59ª. e 60ª. O ambiente do livro é árabe, mas aflora a faceta didática, o tom educativo e cultural. É considerado um clássico brasileiro e foi traduzido para o inglês e o espanhol.
Sobre os costumes e lendas do povo árabe, Malba Tahan publicou mais de 20 livros. Os personagens dos seus contos são sultões, califas, príncipes e princesas, beduínos e escravos. A leitura desses contos nos transporta para as histórias das “Mil e Uma Noites” contadas por Sherazade.

O livro “Os Melhores Contos” (Ed. Record) reúne 28 histórias que foram pinçadas de vários livros do autor. Uma das histórias traz o curioso título “O sábio da efelogia” (De “Maktub”). Será que o leitor sabe o que é efelogia? Em caso negativo, aconselhamos que faça a leitura do conto. Se já leu e está esquecido não perca tempo, faça uma releitura e terá de volta as lembranças das leituras juvenis.
“Os trinta e cinco camelos” (De “O homem que calculava”) envolve um intrincado problema de herança. O pai morre e deixa para três filhos 35 camelos que deveriam ser divididos da seguinte forma: para o filho mais velho, caberia a metade dos camelos; o segundo filho deveria receber a terça parte e o mais novo apenas a nona parte. Os irmãos discutiam, discutiam e não chegavam a um acordo. Nas contas havia sempre uma fração de camelos. Como dividir? O inteligente Beremiz foi chamado para resolver o problema. Como era exímio algebrista, deu uma solução que satisfez a todos. Beremiz que não era herdeiro recebeu dois camelos – demonstrou ser inteligente e sagaz.
“O tesouro de Bresa” (de “Lendas do Deserto”) conta a história de um pobre alfaiate que morava na Babilônia e desejava ser um dia dono de palácios e grandes tesouros, mas isso parecia quase impossível. Certo dia recebeu a visita de um velho mercador da Fenícia que vendia tapetes, caixas de ébano, pedras coloridas, objetos desejados pelos babilônios. No meio das preciosidades, Enedim, este era o nome do alfaiate, descobriu um livro cheio de caracteres estranhos e indecifráveis. O comerciante ladino disse-lhe que era um livro valioso e custava três dinares. Era muito dinheiro, o alfaiate pediu abatimento e conseguiu comprar por dois dinares. Debruçado sobre o livro, decifrou uma legenda: “O segredo do tesouro de Bresa”. Com vivo interesse, continuou lendo o livro com o objetivo de descobrir o tesouro de Bresa. Será que Enedim encontrou o cobiçado tesouro? Leiam e me contem depois.
Ainda há vinte cinco histórias esperando pelo leitor.
O dicionário de Aurélio registra que o vocábulo “mago” significa o homem que pratica a magia, o feiticeiro, o bruxo, o mágico. Nesse sentido, Malba Tahan é o mago da literatura juvenil brasileira. Com suas histórias cheias de encanto, consegue ser mágico, bruxo e feiticeiro ao mesmo tempo.

2 comentários:

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GT CiberEnsino disse...

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